terça-feira, janeiro 06, 2009

Propaganda



Hoje temos plenária do GBU-Lisboa com o tema = Responsabilidade Ambiental. O orador será o Luís Calaim. Aparece às 19hs na Faculdade de Letras da UL.

psionline 3

Aparências - Robson Carmo.

Minha esposa sempre me conta que cresceu ouvindo de sua mãe que a sala de estar é o lugar que deve permanecer em ordem, pois se porventura chegar alguma visita inesperada ela encontre a sala em ordem e pense que todo o resto também está em ordem.
Imagine a situação...
Uma mãe que quer manter a aparência de sua casa como se fosse muito bem cuidada, mas o máximo que ela consegue é deixar a sala um pouco organizada. De repente... seu filho de 17 anos, começa a namorar uma menina até então desconhecida. Bem, este filho então diz: “Mãe, quero trazer minha namorada para jantar conosco, posso?” E a mãe então diz: “Tudo bem meu filho, mas deixe-me dar um trato na casa antes para não causar má impressão.” E a mãe então deixa a casa um brinco! Tudo no lugar..., lustra-móveis..., saches de cheirinho agradável..., etc. Bem, a moça chega... Elas se abraçam e beijam e aquela formalidade toda. Jantam, comem sobremesa e assim vai. Então, a mãe resolve mostrar toda casa para ela, com muito orgulho é claro, pois a final de contas a mãe conseguiu ter o controle de tudo e todas as coisas estão em seu devido lugar, porém a mãe ainda diz: “Olha minha filha, não repare a bagunça não, está bem? Desculpe-me porque não consegui deixar a casa como gostaria”. Então dá aquela risadinha esperando um: “Nossa, sua casa é maravilhosa. Que casa mais cheirosa... que organizada etc”.
Os dias passam e a namorada começa a ficar mais íntima da família, e quando a mãe menos espera, ela mesma já não se incomoda mais com a presença da namorada e começa a deixar a casa como estava antes, voltando então a deixar somente a sala mais ou menos arrumada.
A namorada do filho por sua vez, é uma pessoa extremamente prestativa, bondosa, generosa e gosta de ajudar e está sempre disposta para o que for preciso.
Num certo dia a namorada chega de manhã e encontra a mãe do seu namorado dormindo. Ela então percebe que a casa está uma bagunça e resolve por tudo em ordem. Quando a mãe acorda e percebe que a namorada de seu filho esta mexendo em coisas que ninguém tocava, apenas ela, a mãe começa a ficar irada e logo tira o pano de limpeza das mãos da namorada e indignada começa a limpar como se fizesse melhor do que todo mundo. Bem, a namorada fica na dela e depois disso nunca mais tentou ajudar, mas se fosse solicitada estaria de prontidão. A casa? A casa continuou a ficar bagunçada.
Sabe...
Convidamos Jesus para entrar em nossa casa. Damos a Ele as boas vindas, ficamos felizes com sua presença. No começo tudo é novo, mas à medida que o tempo vai se passando, começamos a nos acostumar com sua presença. Damos a Ele certa liberdade, porém quando Ele começa a trabalhar em nossa vida e começa a fazer a limpeza necessária, notamos que Ele está entrando em quartos extremamente fechados, que só nós podíamos entrar e mais ninguém estava autorizado. Com isso, ficamos envergonhados e logo queremos tirar o pano de limpeza de suas mãos e falamos para Jesus: “Olha Jesus... aqui pode deixar comigo que eu mesmo limpo, neste quarto o senhor não entra, não é assim que se limpa aqui, deixe comigo que eu sei como fazê-lo.” Tomamos o controle de novo e o que nos resta? É só esperar mais uma frustração, até que depois de tanta frustração paramos de lutar com nossas próprias forças e decidimos reconhecer que precisamos de ajuda para manter a casa em ordem. Paramos de viver de aparências para uma vida de dependência e entrega diária.

Que eu e você experimentemos uma vida de entrega diária, pois não é pelo meu esforço, mas pelo poder do Espírito Santo de Deus que vamos ser mudados.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Dúvida Existencial


e assim foi a 1ª segunda-feira de 2009...
devia ter escolhido uma tirinha do Garfield! (=])
Feliz 2009

tempo de aprender

Com passos lentos, vou descobrindo o que quero no blogspot... (nem sempre - aí a gente apela aos bons blogueiros amigos). Vou começar a programar as postas para servir no blog e assim deixar de ficar refém do humor ou do tempo! -sábia decisão! rsrs- este é o primeiro teste... se funcionar, vai ser como aquelas resoluções de ano novo, que espero que dure!
abraços



quarta-feira, dezembro 31, 2008

Feliz Ano Novo


quinta-feira, dezembro 18, 2008

Gratidão

Graças a mama nunes o blog finalmente tem um cabeçalho!
Fica registado aqui o nosso muiiiiiiiiiiiiiito obrigado, pela paciência e ajuda.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

quanto tempo tem...

Em cima da hora, prá variar - Carlinhos Veiga

É incrível, mas na maioria das vezes que escrevo para o boletim, estou em cima da hora, atrasado. Temos uma programação prévia estabelecida entre os pastores definindo as semanas que cada um irá escrever. A idéia inicial era oferecer um maior tempo para pensar, pesquisar, reescrever, escolher as melhores palavras... mas confesso que da minha parte, nunca deu certo. Acabo me envolvendo com tantas outras atividades da igreja que quando vejo, a minha semana de escrever já chegou. Percebo isso quando sou recebido pela Nilda, nossa secretária que digita e monta o boletim, com um sorrisinho sem-graça no rosto, como quem diz: "Já ficou pronto o texto?".
Li uma crônica do Luis Fernando Veríssimo que falava desse grande conflito de todo escritor. A falta de tempo acabou se tornando um elemento essencial para a produção de textos no meio jornalístico. A pior coisa que um escritor pode ouvir é "Olha, não se preocupe com o prazo. Leve o tempo que for preciso". Provavelmente esse texto ficará para a última hora ou, caso não haja última hora, nunca ficará pronto.
Esse conflito, na verdade, não é apenas um privilégio do escritor, jornalista ou pastor. Acabou tornando-se a angústia de todos aqueles que estão inseridos no acelerado mundo presente. Já não vivemos a vida, corremos a vida. E, se não forçarmos em nossa apertada agenda um tempo para o nosso encontro com Deus e conosco mesmos, sofreremos de muito maior angústia.
Eu encontrei esse momento de refrigério nas madrugadas. Ela me propicia sonhar acordado. A noite é como o sonho... sem pressa. E o encontro com Deus não pode ter pressa. Se o sonho fosse instantaneamente feito realidade, seria insosso, sem graça. Imagine se uma criança não necessitasse dos nove meses para ser gerado. Não haveria para os pais o prazer de sonhar, de planejar, de tecer a manta e o amor. Não haveria espaço para a poesia. Não haveria tempo para germinar os sentimentos. Seria no mínimo desumano e sem sabor. Deus providenciou nove meses de maneira sábia - três períodos de três meses. Cada um trazendo suas emoções e expectativas. Cada qual preparando o casal para a beleza do encontro. Assim também deve ser nosso encontro com Deus.
Mas vivemos numa sociedade imediatista que quer ver tudo resolvido em poucos minutos (o tempo tolerado é determinado por aquele suficiente para o preparo de uma comida instantânea). E trazemos essa intolerância da espera para o nosso relacionamento com o Senhor. Para quem vive nos dias velozes de hoje, Deus parece moroso e até atrasado. Oramos como o salmista, "dá-te pressa Senhor!" (Sl 40.13; 70.1; 102.2; 141.1; 143.7). Queremos ver a ação de Deus tão rápida quanto nossa vontade. Mas o Senhor tem o seu tempo, que nem sempre está sintonizado com o nosso tempo.
É Ele quem diz: "Certamente, venho sem demora" (Ap 22.20). Ele sempre chega no tempo certo. Quando Ele se parece atrasado, está nos dando a oportunidade de sermos libertos dessa correria impessoal que faz de Deus nosso servo. Nós é quem o servimos e nos submetemos à sua vontade e ao seu tempo.
Para Sara, Deus havia chegado atrasado para lhe fecundar o ventre. Por isso riu do anjo. Mas Deus lhe disse: "Acaso há para o Senhor coisa demasiadamente difícil?" (Gn 18.14). As irmãs Marta e Maria se lamentaram com Jesus dizendo: "Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão" (Jo 11.21,32). Para elas Jesus estava atrasado. Mas, sabemos que nos dois casos, como em tantos outros espalhados por toda a Bíblia e também em nossas histórias de vida, o Senhor sempre chega no tempo certo, exato. Ele nunca se atrasa. No "tempo determinado" Sara concebeu Isaque (Gn 21.2). Lázaro foi ressuscitado por Jesus Cristo e restituído às suas irmãs (Jo 11.43,44). O mesmo ele tem feito por mim e por você, em seu tempo. A orientação do salmista para todo aquele que confia em Deus é "sede fortes, e revigore-se o seu coração, vós todos que esperais no Senhor" (Sl 31.24).
Graças a Deus, mais uma vez consegui terminar o texto... em cima da hora!

quarta-feira, dezembro 10, 2008

uma nata de amigos

vai à fonte...



Postal de Natal da Nata Design 2008 from Nata Design on Vimeo.

sábado, dezembro 06, 2008

B_friends (b = barnabés)

gosto do cheiro da lenha a queimar... este fim-de-semana estivemos com um retiro indoor, também lá fora só chove! rsrs, lareira sempre acesa, e boa companhia preencheram estes dias. esta foi a mensagem que deixaram na porta do frigorífico.


nós agradecemos também! (o nós não é um plural de majestade rsrs,mas sim o samuel e eu!)

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Dr.Katz (1)

episódio -internet addictions...

hoje tive saudades do Dr. Katz, que já não dá na tv. ainda bem que sempre temos o youtube!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

what you see is what you get - WYSWYG





encontrei este vídeo no pavablog (este que está a piscar aí ao lado!) e achei muito interessante. vê com os teus próprios olhos e imagina o que fazes todos os dias...

domingo, novembro 30, 2008


















tá um frio, que me faltam adjectivos!

cheguei até a pensar que estava a nevar... no dia seguinte granizo logo de manhã, e hoje ainda não passamos dos 9º lá fora, e cá dentro... até dói! esta foi a melhor imagem para vos fazer sentir o meu frio.

quinta-feira, novembro 27, 2008

ANSIEDADE: Doença da desconfiança!
Texto para leitura: Mateus 6

Jesus quase não falou de muitos temas que não saem de nossas conversas e preocupações.
Por exemplo, o amor entre um homem e uma mulher não tem Nele um poema, uma fala, um discurso. E acerca de sexo (outro campeão de audiência entre nós), Ele falou quando forçado pelas circunstâncias ou em razão de questões de outros.

Porém, por Ele, espontaneamente, tais temas não foram propostos.
O mesmo não se pode dizer da ansiedade.
A ela Jesus reserva significativo espaço no bojo de Seu ensino essencial: o Sermão do Monte.
De fato, isoladamente, é o assunto tratado de modo mais ilustrado e longo em todo o sermão (Mateus 5 - 7).
E por quê? Ora, as razões são muitas. E os básicos logo as associam às dificuldades da existência em todos os tempos; os psicólogos não resistem à tentação de associá-la ao mundo estressado no qual todos vivemos; tratando, assim, não da própria ansiedade, mas dos agentes contemporâneos de sua emulação.
De fato, há muitas causas secundárias quando se pensa em ansiedade. No entanto, no curto espaço deste texto, quero apenas falar acerca de três causas essenciais.
1. A ansiedade como perversão do olhar prospectivo. De fato, só somos ansiosos porque fomos dotados da bênção do olhar prospectivo. Fomos feitos capazes de olhar para o futuro mediante a imaginação, a lógica histórica, a acumulação de experiências e, sobretudo, em razão da necessidade humana de pensar no dia de amanhã, no qual, miticamente, estocamos o bem e o mal, dependendo de nosso estado de espírito. Todavia, como disse, a ansiedade é uma perversão de uma virtude: a bênção do olhar prospectivo. Na realidade, a ansiedade é a esperança vivida como experiência do pecado de ser, o qual se manifesta como incapacidade de crer no cuidado de Deus em razão de nosso descuidado para com Ele em amor. Assim, ansiedade é a expectativa de que no amanhã estaremos em perigo. O pecado perverteu todo olhar perspectivo e prospectivo.
2. A ansiedade como a esperança da Queda. Na realidade, a ansiedade é a maligna manifestação da “esperança na Queda”. Num mundo onde o ser se sabe afastado de Deus, toda expectativa é sempre contra nós, e sua forma existencial e psicológica de se fazer desesperança é mediante a ansiedade.
3. A ansiedade como desconfiança de Deus. Quando Jesus enfatizou a ansiedade como problema, o que Ele diagnosticou como causa foi a falta de confiança real no Deus real, no Deus que cuida, que é Pai, que está atento, que se dedica a ervas e pássaros, e, portanto, tem muito mais razão para cuidar da existência humana. E tudo quanto Jesus disse acerca da ansiedade se faz concluir com um convite a entrega total à confiança no reino de Deus; ou no Deus que reina sobre a vida; especialmente sobre os detalhes mais sutis. Assim, Jesus mandou que a fonte da energia espiritual e vital de cada um de nós se concentrasse apenas nas coisas que carregam o espírito do reino de Deus, pois, assim, seremos agidos por Deus, que é o que faz com que todas as coisas necessárias à vida nos sejam naturalmente acrescentadas.
Onde há ansiedade, aí ainda não há a prevalência da confiança. Ou, então, aí se instalou “um vício de sentir contra nós”, o qual só pode ser vencido mediante a entrega em fé ao amor e aos cuidados misteriosos do Pai.
Nele,

Caio Fábio

terça-feira, novembro 25, 2008

jet lag


Quando estava a preparar a mala para esta última viagem, escolhi uma daquelas mochilas giras e apertei tudo lá dentro, entretanto o meu marido me pergunta: não preferes levar uma mala de rodinhas? eu: nahh, a mochila é mais fácil...
já sabem o resto. uma dor nos braços uiui, queria ter um balãozinho!

segunda-feira, novembro 24, 2008

Psicologizando 4

Psicodinâmica e Sacrodinâmica -parte 4 (final)
Conclusão
Procuramos destacar a impor-tância da fé como fator crucial para o desenvolvimento humano. As pesquisas que apontamos enfatizam sempre que ela não é estática. Ao contrário, a fé goza de um dinamismo que lhe é próprio e a impulsiona a estágios evolutivos em que alcança expressão cada vez maior. Isso se dá em articulação com o desenvol-vimento global do ser e, em particular, com as etapas do desenvolvimento psicológico. Aventamos a hipótese de que correntes teóricas da psicologia, tais como a psicanálise e outras, falharam exatamente em não atentar para a plasticidade e a riqueza dinâmica da fé. Tendo sido concebidas a partir de dados colhidos em situações clínicas, o que pressupõe prioridade a conteúdos regressivos, elas se depararam com expressões deformadas e imaturas de fé, que foram tomadas de maneira generalizada. Por outro lado, escolas psicológicas que valorizaram o desenvolvimento saudável e a progressão à maturidade foram mais felizes em reconhecer o lugar da fé. Estas últimas continuam estimulando pesquisas que esclarecem o lugar da fé na estruturação da personalidade. A fé é um fenômeno universal. Recorrendo ainda a Fowler, encontramos os seguintes esclareci-mentos: "A fé é uma preocupação humana universal. Antes de sermos religiosos ou irreligiosos, antes de nos concebermos como católicos, protestantes, judeus ou muçulmanos, já estamos engajados em questões de fé. Quer nos tornemos incrédulos, agnósticos ou ateus, estamos preocupados com as formas pelas quais ordenamos a nossa vida e com o que torna a vida digna de ser vivida. Além disso, procuramos algo para amar, e que nos ame; algo para valorizar, e que nos dê valor; algo para honrar e respeitar, e que tenha o poder de sustentar nosso ser"24. (p.16).
A aventura da fé molda e impulsiona nossas trajetórias de vida. O referencial maior encontramos na personalidade ímpar de Jesus Cristo, exemplo de fé madura e integridade pessoal. Em nome dele "a comunidade cristã, através da história, tem convidado a humanidade a enfrentar as crises das experiências limite de cada estágio da vida com a resposta da fé, isto é, a conversão; a Bíblia mesma nos coloca o desafio da ´metanoia´, conversão, uma mudança da mente" 25.(tradução do autor)
Uriel Heckert é Médico Psiquiatra e Professor Universitário em Juiz de Fora, e presidente nacional do CPPC

1 TILLICH, Paul. Dinâmica da fé. Trad. de Walter Schlupp. Ed. Sinodal, São Leopoldo, 1974, p. 13.
2 FOWLER, James W. Estágios da fé. Trad. de Júlio Paulo T. Zabatiero. Ed. Sinodal, São Leopoldo, 1992, p.15.
3 id. ibid., p.22.
4 ELLENS, J.Harold The ulfolding christian self. In: ADEN, LeRoy; BENNER, David G.; ELLENS, J. Harold (org.) Christian perspectives on human development. Baker Book House, Grand Rapids, MI, 1992, p.141.
5 TILLICH, Paul, op.cit.
6 FOWLER, James W., op.cit.
7 HERNÁNDEZ, Carlos J. O lugar do sagrado na terapia. Trad. de Therezinha F. Privatti. Ed. Nascente/CPPC, São Paulo, 1986.
8 FREUD, Sigmund; PFISTER, Oskar. Cartas. Trad. de Karin H. Wondracek. Ed. Ultimato, Viçosa, 2000.
9 FRANKL, Viktor E. A presença ignorada de Deus. Trad. de Esly R.S.C. Hoersting, Zilda C. de Souza e Walter Schlupp. Ed. Imago/Sinodal/Sulina, Porto Alegre, 1985, p. 48.
10 TILLICH, Paul, op. cit., p. 8.
11TOURNIER, Paul El personaje y la persona. Trad. de Viviana Hanono. Ed. La Aurora, Buenos Aires, 1974.
12 ______________ La aventura de la vida. Trad. de Graziela Baravalle. Ed. La Aurora, Buenos Aires, 1976, p.287.
13 HERNÁNDEZ, Carlos J., op. cit., p.18.
14 ELLENS, J. Harold, op.cit., p.129.
15 ADEN, LeRoy Faith and the developmental cycle. In: ADEN, LeRoy; BENNER, David G.; ELLENS, J. Harold (org.) Christian perspectives on human development. Baker Book House, Grand Rapids, MI, 1992, p.33.
16 FOWLER, James W., op. cit., p.201-212.
17 id. ibid., p.107.
18 id. ibid., p.129.
19 id. ibid., p.147.
20 id. ibid., p.167.
21 id. ibid., p.169-170.
22 BONAVENTURE, Leon Apresentação. In: BÜRKI, Ago Fillenz Não sou mais a mulher com quem você se casou. Trad. de João Rezende Costa. Ed. Paulus, São Paulo, 1997, p.5.
23 ELLENS, J. Harold, op. cit., p.143.
24 FOWLER, James W., op. cit., p.16.
25 ELLENS, J. Harold, op. cit., p.142.

me´mórias de viagem


sábado foi assim em Wiesbaden,
o dia amanheceu branco
e frio muito frio

domingo, novembro 23, 2008

Psicologizando 3

Psicodinâmica e Sacrodinâmica - parte 3
por Uriel Heckert é Médico Psiquiatra e Professor Universitário em Juiz de Fora, e presidente nacional do CPPC

Estágios da Fé
Reconhecido o lugar do sagrado, podemos perceber como a fé ganha importância relevante dentro da história de vida de cada pessoa. Assim, ela deve ser estudada nas suas expressões características, articulando-se com as etapas já bem conhecidas do desenvolvimento psíquico. A fé pode ser considerada como parte desse desenvolvimento, assumindo em cada etapa aspectos dominantes característicos, sendo influenciada e determinada, pelo menos em parte, pelo estágio evolutivo que o indivíduo atravessa. Ela sofre desafios crescentes, experimenta mudanças e, por sua vez, oferece respostas esclarecedoras e estruturantes às crises da existência.
As investigações seguem dois fulcros, pelo menos, quando se busca relacionar fé e teorias do desenvolvimento. O primeiro deles parte da teoria do ciclo vital, tal como definida por Erik Erikson, e procura demonstrar a evolução da fé desde o nascimento até à morte. Essa abordagem tem permitido interes-santes estudos sobre o que significa maturidade, em termos tanto de crescimento individual como de fé.
LeRoy Aden propôs um paralelo entre as etapas do ciclo vital descritas por aquele autor e as correspondentes manifestações de fé. Assim, elaborou oito formas de expressão da fé, a partir das descrições das etapas psicossociais já conhecidas. Ele propugna por lançar luz sobre os recursos e estratégias individuais de crescimento que, em cada período, exercem influência significativa sobre a vivência da fé. Tal qual na teoria de Erikson, a ênfase recai nos aspectos sadios que cada etapa do desenvol-vimento pode apresentar.
Idade (Anos de Vida) = Fator prevalecente do desenvolvimento de identidade = Forma Predominante de fé
00-01 = Confiança / Desconfiança =
Fé como Confiança
01-03 = Autonimia / Vergonha e dúvida = Fé como Coragem
03-06 = Iniciativa / Culpa =
Fé como Obediência
06-12 = Engenhosidade / Inferioridade =
Fé como Assentimento
12-18 = Identidade / Confusão =
Fé como Identidade
>18 = Intimidade / Isolamento =
Fé como Entrega
> = Generosidade / Auto-absorsão = Fé como Doação Incondicional
> = Integridade / Desespero = Fé como Aceitação incondicional

Obs: Tradução e Adaptação do Autor
A Tabela 1 apresenta as oito formas predominantes de fé apontadas por Aden. Ele conclui que “o estágio particular do desenvol-vimento que o indivíduo atravessa influencia e, em parte, determina a resposta de fé de cada um”15.Destaca ainda que a fé oferece elementos de organização do psiquismo, tornando-se um fator de saúde e satisfação, influenciando profundamente a estruturação pessoal. Ela não se comporta passivamente durante as crises do desenvolvimento, mas contribui de forma ativa e transformadora.
Outra linha de investigação que relaciona o desenvolvimento humano com o entendimento da fé tem por base teorias cognitivo-estruturalistas. Parte-se das concepções de Jean Piaget, que descreveu as complexas estruturas psíquicas desenvolvidas pelo ser humano em crescimento, capazes de lhe garantir conhecimento e interação com o mundo. Seguindo essa direção, Lawrence Kohlberg elaborou uma seqüência estruturada que diz respeito ao desenvolvimento da consciência moral. Para o nosso interesse atual, ganha relevância o trabalho de James W. Fowler, que estudou estágios de desenvolvimento da fé, confrontando-os com as características próprias a cada etapa do desenvolvimento cognitivo.
Fowler baseou-se em ampla pesquisa, reunindo dados de mais de 359 entrevistas semi-estruturadas com pessoas de diferentes idades e formações religiosas, em países norte-americanos (Estados Unidos e Canadá). Pela análise sistemática dos dados, pôde identificar seis agrupamentos bem definidos de formas de crer, que chamou estágios da fé. Antecedendo a eles, distinguiu um pré-estágio caracterizado pela presença de uma fé que chamou indiferenciada. As categorias utiliza-das para compor as formas de fé por ele descritas foram as seguintes: locus de autoridade, forma de coerência do mundo, limites da consciência social, função simbólica, forma de lógica, assunção de perspectiva relacional e forma de julgamento moral16.
Exporemos a seguir, sucin-tamente, cada estágio descrito por Fowler, considerando que tais pesquisas são ainda pouco conhecidas em nosso meio.
Pré-estágio – Período de 0 a 2 anos de idade – Caracterizado por uma fé dita indiferenciada, em que se constrói “o fundo de confiança básica e a experiência relacional de mutualidade”, que estarão subja-centes a tudo o que virá mais tarde no desenvolvimento da fé17.
Estágio I - Período de 2 a 7 anos, chamado de fé intuitivo-projetiva. A característica marcante aqui é de uma fé fantasiosa e imitativa, que acompanha as primeiras experiências auto-conscientes, com forte conteúdo imaginativo, pois que ainda não inibido pelo pensamento lógico.
Estágio II – Período de 7 a 12 anos, caracterizado pela fé mítico-literal. As crenças neste estágio são apreendidas segundo uma interpretação literal, ganhando construção linear, mesmo que já se requeira coerência e sentido. Nele “a pessoa começa a assumir para si as estórias, crenças e observâncias que simbolizam pertença à sua comunidade”18.
Estágio III – Período de 12 a 18 anos, chamado de fé sintético-convencional. Surge a necessidade de sintetizar valores, informações e crenças, de forma a sustentar uma ideologia que dê base para a identidade e perspectivas pessoais. Desponta a capacidade de formar o “mito pessoal, o mito do próprio devir da pessoa em identidade e fé, incorporando o passado e o futuro previsto em uma imagem do ambiente último unificada por características de personalidade”19.
Estágio IV – Período de 18 a 25 anos, chamado de fé individuativo-reflexiva. Neste ponto o indivíduo está pronto para assumir responsavelmente os compromissos que lhe são inerentes, definindo seu estilo de vida, crenças e atitudes. A identidade pessoal já definida permite a afirmação de uma cosmovisão própria. A capacidade reflexiva, por sua vez, leverá ao questionamento de crenças anteriores, dando a este estágio uma caráter “desmito-logizador”.
Estágio V – Período após os 25 anos, chamado de fé conjuntiva, ou também integrativa. Aqui tende-se a ultrapassar a lógica dicotomizante anterior, atentando para as relações que pode haver entre diferentes concepções de fé. Surge uma disposição dialética que acolhe elementos anteriormente excluídos, mesmo aqueles de aparente oposição, fazendo sobressair o “eu mais profundo”, com suas complexidades e ambivalências. Passa-se a admitir a convivência com o que é diferente e ameaçador, considerando que “as apreensões da realidade transcendente são relativas, parciais e inevitavelmente distor-cedoras”.
Estágio VI – Atribuído à maturidade e caracterizado pela chamada fé universalizante. Poucos teriam acesso a esse nível de desenvolvimento da fé. Ele se expressa pelo engajamento decidido da pessoa na transformação da realidade atual, visando valores últimos. O móvel é uma “devoção à compaixão universalizante”, que brota de “visões ampliadas da comunidade universal” e permite uma prontidão a “ter comunhão com pessoas de qualquer um dos outros estágios e de quaisquer outras tradições de fé”. Fowler afirma sua crença em que “as pessoas que chegam a corporificar a fé universalizante são levadas a esses padrões de comprometimento e liderança pela providência de Deus e pelas exigências da história” 21.
Idade = Etapa do desenvolvimento Cognitivo = Estágio da Fé
0-2 anos =Etapa sensório-motora Pré-Estágio = Fé indiferenciada
2-7 anos =Etapa pré-operacional ou intuitiva Estágio I = intuitio-projetiva
7-12 anos = Etapa Operacional Comcreta Estágio II = Fé mítico-literal
12-18 anos = Etapa Operacional Formal (dicotomica) Estágio III = Fé sintético-convencional
18-25 anos = Etapa Operacional Formal (dialética) Estágio IV = Fé individuativo-reflexiva
> 25 anos = Etapa Operacional Formal (sintética) Estágio V = Fé conjuntiva (ou integrativa)
> = Etapa do desenvolvimento Cognitivo, Etapa Operacional Formal (dicotomica) Estágio VI = Fé universalizante
A Tabela 2 mostra a relação dos estágios da fé propostos por Fowler com as etapas do desenvolvimento cognitivo descritas por Piaget.
Claro está que o desenvolvimento da fé não se dá de forma linear, pois, tal qual ocorre com o progresso psíquico, ele pode sofrer retardamentos e fixações. Se a fé não encontra elementos adequados à sua evolução, aí incluídos principalmente os fatores de estagnação ao desenvolvimento global da personalidade, ela pode caminhar em descompasso com a idade cronológica. Entretanto, estará sempre em relação com o grau de maturação psíquica que a pessoa tiver alcançado. Parece razoável admitir que “não é o espiritual que aparece primeiro, mas o psíquico, e depois o espiritual”. Por outro lado, também é verdade que “é a partir do olhar do imo espiritual que a alma toma seu sentido, o que significa que a psicologia pode de novo estender a mão à teologia”.
Fowler alude à seqüência dos estágios e suas inter-relações usando a figura de um movimento espiral ascendente. A transição de um estágio a outro seguinte pressupõe uma crise, vivida com intensidade variada por cada pessoa, segundo o grau de estabilidade psíquica e a configuração existencial que a cerca no momento dado. Experiências marcantes que alterem significati-vamente conteúdos da fé, geralmente denominadas de conversão, introduzem mudanças na forma de vivenciá-la, podendo implicar numa mudança de estágio. Regressão a estágios anteriores é uma das possibilidades, mesmo que seja para melhor elaborar ou reconstituir aspectos mutilantes que tenham ficado mal resolvidos. Outra possibilidade é que tais experiências alavanquem uma retomada do desenvolvimento para níveis mais adequados.
As possibilidades que se colocam são assim descritas por J. Harold Ellens:

“Para amadurecer de um estágio a outro seguinte precisamos de conversão; isto é, precisamos ser despertados para uma nova dimensão de fé e experimentar uma visão transcendente que alargue nossos paradigmas, revise e expanda nossa cosmovisão, reintegre nosso ´self` e nossa experiência com um novo sistema de convicções e perspectivas. Quando atingimos as experiências limite que nos desafiam à conversão e resistimos às demandas de uma nova e expandida visão de verdade, de fé e de perspectiva, regredimos e nos aprisionamos na cosmovisão imatura de um estágio anterior do nosso desenvolvimento.”23 (tradução do autor).

quinta-feira, novembro 20, 2008

malas&bagagens

yes, again...

desta vez é até domingo, já sugerimos a mudança da nossa funcão para traveling assessor.
enquanto isso tuga vai perdendo para o brasil, e ouvi a pior interpretação possível e jamais ouvida dos hinos -brasileiro e português.
deveria ser considerado crime, esta "liberdade criativa" pois ninguém merece ouvir o zezé a cantar o hino nacional, nem o hino português em marrrrrrcha lenta... será que isto era uma antevisão do futebol a ser apresentado?
enfim,
um bom fds à malta, e quando cá voltar, conversaremos! pois como ouvi esta semana a C. "tenho que conversar com alguém, pois se eu falar sozinha, tenho sempre razão!"
abraços

quarta-feira, novembro 19, 2008

II Fórum Cristianismo Criativo

Já há duas semanas que tenho acompanhado online o II Fórum Cristianismo Criativo , estes vídeos são trechos da primeira sexta-feira sob o tema "Viciados em Mediocridade" assiste, e acompanha pelo portal cristianismo criativo nesta sexta às 21h (hora portuguesa).

Os estrevistados nesta 1ª noite foram - Taís Machado - assessora da ABUP e, João Alexandre, músico. Com o Sérgio Pavarini como apimentador, digo, entrevistador.

Parte I




Parte II



Psicologizando 2

Psicodinâmica e Sacrodinâmica -parte 2
por Uriel Heckert - Médico Psiquiatra, Professor Universitário em Juíz de Fora, e presidente nacional do CPPC

Sacroninâmica

Sabe-se que a teoria freudiana apoiou-se prioritariamente nos conteúdos pulsionais do inconsciente. Deles fez derivar as expressões do psiquismo humano, bem como todas as construções da cultura, aí incluídas as manifestações de fé. Houve, desde o princípio, aqueles que chamaram a atenção para o simplismo desse entendimento, destacando-se entre eles Oskar Pfister, membro do primeiro grupo de discípulos de Freud e que seguiu sendo também ministro religioso 8. Mesmo assim, é sabido que aquela visão reducionista prevaleceu.
Carl G. Jung postulou uma visão ampliada do inconsciente, incluindo o “self” numa visão mais abrangente, além dos conteúdos arquetípicos. Aí encontrou ele um reservatório de experiências ancestrais, que se expressam na riqueza dos mitos, sempre evocadores de conteúdos religiosos. Ele julgou ter resgatado, por essa via, a base de uma espiritualidade mais profunda.
Viktor E. Frankl, por seu turno, não hesitou em falar de um inconsciente espiritual, não condicionado à lógica do desejo, mas que se expressa na busca pelo sentido. Ele considerou que estava indo além de Jung, pois alinhava-se aos existencialistas na afirmação da pessoa humana como ser livre e responsável. No seu entender, “o inconsciente coletivo tem as menores probabilidades de abrigar a religiosidade precisamente porque religião envolve as mais pessoais decisões tomadas pela pessoa” 9 .
A noção de liberdade é destacada também por Paul Tillich, que propõe “uma teoria dinâmica da fé, a qual... tem sua raiz no centro da pessoa” 10. Ele destaca o papel dos elementos inconscientes, que são determinantes expressivos dos conteúdos da fé. Mas reconhece que esta é um ato consciente, ligado às escolhas mais radicais que tomamos ao longo da existência.
Paul Tournier, médico suíço proponente do movimento chamado Medicina da Pessoa, via o sagrado inevitavelmente imiscuído no fluxo da vida. Ele chamou a atenção para os momentos privilegiados em que a pessoa, fugindo da sua latência, suplanta o personagem estereotipado que nos caracteriza no cotidiano11. A expressão exuberante de vida que então se manifesta atestaria a presença divina e seria fonte de crescimento, maturidade e cura. Tais “aventuras” permitem, no seu entender, o fluir de uma espiritualidade dinâmica e espontânea, ligada à evolução natural do indivíduo e capaz de enriquecer a existência. Como destaca: “A maior aventura... é nossa própria evolução,... nossa evolução interior, nosso encontro renovado com Deus...”12.
Articulando essas contribuições, Carlos José Hernández, psiquiatra argentino, destaca a relevância que a relação com o sagrado assume na vida individual: “A pessoa sempre tem um espaço sagrado e, por conseguinte, misterioso e cheio de significado”13. Vê que esse lugar é preenchido pela fé, independente do objeto que a acolhe, e mesmo que ela se expresse por sua negação. Chama a atenção para a relação dinâmica que se estabelece entre o sagrado e o sujeito da fé, que evolui com o seu amadurecimento psíquico, sofre impactos durante as crises pessoais, ao mesmo tempo que contribui como elemento de referência e estabilidade na constituição da personalidade. O autor identifica, então, uma sacrodinâmica que corre paralela e intercambiante com o processo psicodinâmico de desenvolvimento individual.
J. Harold Ellens, psicólogo e teólogo norte-americano, sublinha a importância de se levar em conta essa dinâmica do sagrado, lembrando que “idéias e ´insights´ de natureza religiosa exercem papel crucial como mediadores dos movimentos saudáveis da personalidade humana através das transições de uma fase a outra do desenvolvimento e dos traumas modeladores que nos confrontam”14.