quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Li e gostei (4)

O deserto, o jardim e a montanha -
por Osmar Ludovico in Meditatio

Durante trinta anos, Jesus Cristo viveu no anonimato, possivelmente ajudando o pai na marcenaria, em Nazaré. Esperou pacientemente seu tempo chegar até ser batizado. Naquele momento, diante de João Batista e seus discípulos, o Deus dos céus falou de forma audível sobre sua identidade: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado”. Momento misterioso do encontro trinitário: a presença do Pai, do Filho encarnado e do Espírito Santo.


Maior de idade, reconhecido pelo Pai, Jesus Cristo estava pronto para iniciar seu ministério público num mundo conturbado, cheio de demandas, necessidades e carências. Ele teria pouco tempo, somente três anos. Embora premido pela urgência e pela magnitude de sua missão, o Espírito o conduziu a uma experiência de silêncio e solitude de quarenta dias no deserto.


No deserto não há apetites, estímulos ou alguém a quem culpar. Ficamos longe de nossas rotas habituais de fuga: a agitação, a correria, o ativismo, a tagarelice, os muitos ruídos. Só quando adentramos o silêncio e a solitude é que Deus tem toda a nossa atenção voltada para ele.
No entanto, temos medo de estar sós, sem nada para fazer, medo dos sentimentos de abandono e inutilidade. Tal medo é tão grande que enchemos o tempo com atividades estéreis. A solidão é angústia da alma, uma ferida incurável. Por causa dela, busca-se desesperadamente no outro a aceitação e o acolhimento incondicionais. Não encontrando, saímos vazios de nossas realizações e nossos relacionamentos. Aí investimos mais e mais, até nos sentirmos desanimados, mal-amados e cépticos.


Solitude é diferente de solidão; é estar só de forma plena, alegre e revigorante. No momento de solitude emerge outra presença. Retiramo-nos do público e da ribalta para entrar naquele espaço mais profundo da alma, da realidade pessoal, que também é habitado por Deus.
Na solitude não há espaço para a angústia da solidão, mas para a restauração do vigor e o livramento das vozes vazias e das representações. O deserto torna a pessoa íntima de si, e ela se descobre criada à imagem e à semelhança de Deus, plenamente amada e reconhecida.
Somente quando entramos nessa dimensão íntima e solitária é que somos levados ao nosso coração e ao coração de Deus. Então sintonizamos a presença silenciosa do Senhor em nós numa relação de amor, na qual somos acolhidos e restaurados.


Nesse local sereno, no fundo da alma, na solitude e no silêncio, jorra uma fonte de eterna satisfação e alegria que conduz à experiência amorosa e livre de encontro com o outro, o semelhante. Apenas quando sabemos estar sozinhos, em silêncio, reverentes diante da face silenciosa e amorosa de Deus, é que nossa narrativa é transformada. A linguagem deixa de ser explicativa, argumentativa, informativa ou persuasiva para se tornar intimista.
No deserto, longe das distrações e do ativismo, Jesus Cristo é tentado. Significa dizer que só no silêncio e na solitude se revelam as falhas de caráter mais profundas, o pecado, a maldade, os desejos egoístas, o orgulho. O tempo no deserto quebranta, leva à confissão, conduz a uma experiência de arrependimento e fé, fazendo perceber a profundidade da graça que renova o compromisso. Tornamo-nos mãos santos e nos reapaixonamos por Deus.


Por isso, Jesus Cristo tinha três locais de isolamento e quietude: o deserto, o jardim e a montanha. Para eles o Mestre se dirigia em busca desse tempo vital, imprescidível para a restauração espiritual. O deserto é um local ermo, sem distrações, estímulos ou apetites. O jardim é o local florido, perfumado e colorido, festa para os olhose ouvidos. É quando se pode sintonizar com a criação e louvar a Deus junto com ela. A montanha é o local remoto, escondido, que implica uma subida (preparação), um topo (oração) e, por fim, uma descida (encarnação).


Tudo isso parece distante de nós. As atividades comunitárias são importantes, mas será que não deveríamos separar mais tempo e espaços especiais para desenvolvermos nossa vida devocional em silêncio e solitude?

terça-feira, fevereiro 03, 2009

para aliviar a culpa


segunda-feira, fevereiro 02, 2009

2ª feira


















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sexta-feira, janeiro 30, 2009

mais além e para o infinito

preciso (entre muitas coisas) ter disciplina para responder aos amigos que por cá aparecem...
obrigado pela visita e encorajamento.

terça-feira, janeiro 27, 2009

com os pés no chão



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domingo, janeiro 25, 2009

Convertendo o Coração


"...A totalidade do ser está envolvida no processo de união com Cristo. Tanto nossa mente como nossos sentimentos precisam caminhar em direção à conversão, à progressiva purificação e, finalmente, à transformação. A renovação intelectual, se não é mais fácil, no mínimo é um assunto relativamente mais simples, comparado com a redenção da afetividade. A emoção, especialmente a emoção religiosa, é um fenômeno complexo. O fruto do Espírito não pode ser igualado a um simples "sentir-se bem"... Como em todos os outros aspectos da natureza humana, a afetividade precisa ser interpretada, disciplinada e, finalmente, redimida." Julia Gatta

ilustração da Ana Oliveira

sábado, janeiro 24, 2009

Denial is not the Nile





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sexta-feira, janeiro 23, 2009

consumismo




onde eu vi? foi aqui
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Eu e o SãoPedro


Fome da Alma

"Se não me engano, foi Santo Agostinho que disse que, se queremos conhecer uma pessoa, não devemos perguntar a ela o que faz e sim, o que mais ama. Para ele, são os afetos que definem nossa identidade, e não nossa funcionalidade.

A cultura moderna, por outro lado, permanece com a primeira pergunta. O que fazemos é o que define quem somos. Somos seres funcionais. A profissão, o status, a função, precedem a pessoa. Ao perguntar pelo que amamos, Agostinho coloca no centro de nossa identidade os afetos e desejos,resgata o significado da pessoa como um ser relacional e não funcional. Noutras palavras, somos aquilo que desejamos, um reflexo daquilo que amamos." Rev. Ricardo Barbosa no prefácio do livro Fome da Alma de James Houston

quinta-feira, janeiro 22, 2009

W&M

quarta-feira, janeiro 21, 2009

quarentão

1. 40 é o número natural entre 39 e 41.
2. Em inglês, 40 (forty) é o único número cujas letras aparecem em ordem alfabética.
3. 40 é a soma dos primeiro quatro números pentagonais
4. 40 é o menor número n com exatamente 9 soluções para a equação φ(x) = n.
5. 40 é o sétimo número abundante.
6. 40 é o número de ladrões do bando de Ali-Babá.
7. 40 é o número atômico do zircônio.
8. 40 negativos é a temperatura em que graus Fahrenheit e Celsius são idênticos.
9. Choveu quarenta dias durante o Dilúvio.
10. E quarenta noites.
11. Isaque tinha quarenta anos quando casou-se com Rebeca.
12. Os espias exploraram a Terra Prometida por 40 dias.
13. Israel peregrinou no deserto por 40 anos.
14. Moisés tinha 40 anos quando fugiu do Egito.
15. Voltou para libertar o povo 40 anos depois.
16. E morreu 40 anos depois.
17. De acordo com o Midrash, Moisés passou três períodos de quarenta dias no Monte Sinai.
18. Eli foi juiz de Israel por quarenta anos.
19. Saul reinou por quarenta anos.
20. Davi reinou por quarenta anos.
21. Salomão reinou por quarenta anos.
22. Jesus foi tentado no deserto por quarenta dias.
23. E quarenta noites.
24. Jesus subiu ao céu 40 dias depois da ressurreição.
25. A Quaresma são os 40 dias que antecedem a Páscoa.
26. A punição impingida pelo Sinédrio consistia de 40 chibatadas (das quais apenas 39 eram aplicadas).
27. Maomé tinha 40 anos quando recebeu a primeira revelação de um anjo.
28. Khadijah tinha 40 anos quando casou-se com Maomé.
29. Nos países muçulmanos os mortos são normalmente lamentados por 40 dias.
30. Um período de quarentena tem às vezes mais, às vezes menos do que quarenta dias.
31. Jonas pregou em Nínive que a cidade seria destruída dali a quarenta dias.
32. 40 é uma canção do U2, do álbum War, de 1983.
33. Por 40 dias o gigante Golias provocou os israelitas antes de ser derrotado por Davi.
34. A vodka russa tem 40% de teor alcoólico.
35. WD-40 é o nome de um lubrificante.
36. A tradição russa diz que um fantasma permanece no lugar em que morreu por quarenta anos.
37. O rabi Akiva, o maior expositor da Torá Oral, começou a aprender hebraico aos 40 anos de idade.
38. Em muitas culturas, especialmente nas semíticas, 40 é usado no lugar de “muitos, incontáveis”.
39. A vida começa aos 40.
40. Você vai ouvir essa última frase mais do que 40 vezes no dia em que completá-los.

terça-feira, janeiro 20, 2009

yes we can

música do dia

Hoje é dia de...


...yes, we can!
Agora veremos o que é que se pode verdadeiramente. Debaixo de um entusiasmo a procura de um herói, o cepticismo optimista levanta-se para perscrutar a réstia de esperança que ainda possa existir na nação que afirma "In God we trust" e discute a proposta de retirar Deus de cena.
Que Deus nos ajude!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Li e gostei (3)


A vida é curta para ser pequena - Ed René Kivitz

Perdão é chave que abre portas. Cada esbarrão pode ser transformado num encontro; cada trombada, num abraço; cada disputa, numa partilha.

A vida é muito curta para ser pequena. Pronunciada por um anônimo senhor de 80 anos, lá de Palmas (TO), essa frase grudou no meu coração. Perguntei para um monte de gente o que se podia aprender com ela. Minha filha fez o melhor resumo: “Curta em relação ao tempo, pequena em relação ao significado”. Um dos amigos de corrida matinal fez a melhor paráfrase: “A vida pára muito rápido para ser insignificante”.

Coisa estranha é essa de gente cujo fim da vida tem sobra dias e falta de significado. Imagino que Deus olhe para baixo e me aponte para um anjo: “Veja o Ed René, os dias dele estão se esgotando, mas ainda não fez nem a metade de tudo quanto sonhou”. Imagino também a mesma conversa a respeito de alguém menos ocupado em viver: “Veja o fulano – ainda têm pela frente muitos dias, mas ele se arrasta como um suplicante que já gostaria de ter encerrado a jornada”.

Existem aqueles que passam a vida a sonhar, como avião sem trem de pouso, sempre voando, sem conseguir voltar ao chão. A respeito desses tais a gente costuma dizer que vivem no mundo da lua. Há também os que são rasteiros – caminham como burros de carga, pensos, cabeça voltada ao chão, dispendendo as últimas energias para conseguir mais um passo. Maldosamente se comenta a respeito dos tais que já morreram e esqueceram de enterrar.

O bom mesmo é sobrar significado na vida, ou como se diz no chavão popular: melhor é acrescentar vida aos seus anos do que anos à sua vida. Mas isso não é para qualquer um. Viver é uma arte, e como dizia Guimarães Rosa, é muito perigoso. Fácil é apequenar a vida. Torná-la grande é quase uma graça, graça dos céus.

Parei para me perguntar o que faz apequenar a vida. Ouvi sugestões de muita gente. A mágoa, o ressentimento, e a incapacidade de perdoar, por exemplo, apequenam a vida. Quando alguém não é bem-vindo no nosso coração, tudo que nos faz lembrar a pessoa passa a ser evitado ou fazer mal.

Por causa disso, a gente deixa de ir em festa, freqüentar determinado restaurante, ouvir aquela música e acaba jogando um monte de CD e livro fora. Ah, e rasga fotos lindas. A vida fica pequena. Gente, além de fazer falta, é indispensável. Quando esses sentimentos ruins dão as mãos para o desejo de vingança, então, a vida fica tão pequena que parece uma gaiola. Dá arrepios só de pensar.

O medo também faz apequenar a vida. Geralmente o medo aparece quando a memória encontra um arquivo danificado: uma experiência do passado mal resolvida. Cada vez que a gente se vê numa situação semelhante, a memória emocional apita e o medo aparece piscando suas luzes amarelas e lançando gás paralisante para todo lado. O medo do fracasso, da rejeição ou do sofrimento. Por causa do medo a gente perde oportunidades, rejeita ofertas irrecusáveis, evita abrir o coração, vive dizendo mais não do que sim.

A culpa, então, essa sim faz apequenar a vida. Culpa pelo que foi feito e pelo que não foi feito. Culpa falsa e culpa verdadeira. A culpa por frustrar o desejo dos outros, por não conseguir alcançar o padrão estabelecido, ou a mais simples – a culpa por ter feito uma tremenda besteira. Besteira grande tem conseqüências irreversíveis. Os efeitos não são necessariamente ruins, mas porque são resultado de besteiras, geralmente convivemos mal com as tais conseqüências, pois nos lembram sempre das besteiras que a elas deram origem.

Culpa das grandes são aqueles que feriram pessoas que amamos. Parece impossível tirar da memória a dor do outro, e seríamos capazes de quase qualquer coisa para voltar ao passado e fazer a curva uma esquina antes. Mas não dá. Como ouvi de uma amiga, a vida é muito curta e não dá tempo de passar a limpo. De fato, não dá para apagar as partes que a gente não gostou e transcrever somente as partes boas. A vida é assim; vai adiante com tudo, luzes e sombras. E alguma escuridão.

O labirinto construído pelo ressentimento, o medo e a culpa é quase sem solução. A maioria das pessoas fica rodando lá dentro, batendo a cabeça nas mesmas paredes e repisando o mesmo chão. Isso significa que ficam reforçando as mesmas emoções, consolidando os mesmos sentimentos e afundando ainda mais os sulcos da pele que desenham o sofrimento. São eles que deixam a pequenez da vida estampada na cara.

Minha vivência pastoral me ensinou que quase todos os conflitos vividos dentro deste labirinto podem ser resolvidos por uma só palavra: perdão. Perdoar quem nos feriu. Perdoar quem nos traiu. Perdoar quem nos rejeitou. Perdoar quem usurpou partes da nossa vida. Perdoar quem não nos aceitou. Perdoar quem nos exigiu demais. Perdoar quem nos exigiu de menos. Perdoar quem desistiu de nós. Perdoar quem nos rogou praga. Perdoar quem fez sofrer as pessoas que a gente ama. Enfim, perdoar um montão de gente, e principalmente, perdoar a nós mesmos.

O problema não é apenas que a vida é muito curta. O espaço de viver é muito estreito. A gente se esbarra o tempo inteiro. E a maioria dos esbarrões tende a nos fazer apequenar a vida. Por isso, o perdão é uma chave que abre portas e nos remete a horizontes cada vez mais ilimitados. Cada esbarrão pode ser transformado num encontro. Cada trombada num abraço. Cada disputa numa partilha. Cada caminhada numa excursão. E se é verdade que uma andorinha só não faz verão, só compartilha o céu quem oferece perdão.

domingo, janeiro 18, 2009

desta vez não foi tão fácil assim...

Itália proibe slogans ateus em autocarros A Associação italiana União dos Ateus e Agnósticos Racionalistas (UAAR) foi proibida de divulgar uma campanha publicitária nos autocarros em Génova, Itália.. A empresa de publicidade nos transportes públicos IgpDecaux considerou que o slogan é provocatório e não se enquadra no código de ética da propaganda italiana.
As frases publicitárias eram: "má notícia, Deus não existe"; e "boa notícia: você não precisa dele".
A UAAR não se conforma com a decisão da IgpDecaux e por isso promete lutar contra a proibição de veicular a mensagem de que Deus não existe. A polémica campanha publicitária é semelhante àquela que está a ser feita em Londres, Washington e Barcelona. Na Austrália, a iniciativa também foi recusada.
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E agora? vamos ver em praça pública uma discussão sobre a ética, sobre a separação entre a igreja e o estado, e tudo o mais que estiver a mão e possa servir de pretexto, ou arma de arremesso. E se a moda pega?

"todo ponto de vista reflecte a vista de um ponto"


Imagine um grupo de pessoas vivendo no mesmo prédio. Metade pensa que é um hotel, a outra metade acha que é uma prisão. Os que imaginam viver em um hotel podem considerá-lo completamente intolerável e, os que pensam estar em uma prisão podem concluir que é, de facto, surpreendentemente confortável. Assim, o que parece um terrível dogma é o que, afinal, o conforta e fortalece. Os que tentam sustentar uma visão optimista deste mundo tornam-se pessimistas; os que sustentam uma visão bastante severa dele tornam-se optimistas.

C. S. Lewis - God in the dock

sábado, janeiro 17, 2009

Até quando?

e por falar em sofrimento, num passado não muito distante estávamos a cantar o salmo 13

pensamentos soltos

Estou a escrever para uma palestra sobre o sofrimento, tenho pensado muito no estranho fenómeno do merecimento e da ilusão de bem-estar que nos rodeia. Diariamente nas notícias vemos o contrário, a pobreza, a guerra, as doenças e mortes, no entanto as pessoas parecem indiferentes, presas nesta bolha de bem-estar. Falta-nos a compreensão da integralidade da vida que é composta pela alegria e pelo sofrimento, onde sem a dor, não conseguimos distiguir o prazer.

Vou trabalhar a busca do sentido, a começar pelo texto que escrevi rsrs, um pensamento solto e com conclusões, embora verdadeiras, precipitadas.



"Quão singular é essa coisa chamada prazer e quão curiosamente relacionada à dor, a qual se imagina oposta a ela... No entanto, quem persegue uma geralmente é compelido a levar a outra. Seus corpos são dois,porém unidos pela mesma cabeça." Sócrates.


PS. nota da psi depois de reler: " já estás em busca da integração outra vez" :)

sexta-feira, janeiro 16, 2009

é hoje


ESTÚDIO N em construção from Nata Design on Vimeo.

já está tudo pronto e a tua espera!

http://www.estudio-n.com/