quinta-feira, junho 04, 2009

a lógica do reino - explicando a lógica e o reino

Palestra no Fórum Jovem de Missão Integral
por Ariovaldo Ramos
Boa noite! Graça e paz! Privilégio muito grande estar com vocês. Realmente, um privilégio. Eu queria convidá-los a abrirem suas Bíblias em Atos, capítulo 17, versículo 6. Nós vamos ler os versículos 6 e 7. Atos, capítulo 17, versículos 6 e 7. (Tem gente que é conhecido pela palavra e outro pelo que bebe de água, não é?)
Texto bíblico:

Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui, os quais Jasom hospedou. Todos estes procedem contra os decretos de César, afirmando ser Jesus outro rei.

Oração: Pai querido, obrigado por tudo que o Senhor já nos falou. Eu rogo que o Senhor continue a nos ministrar através da tua Palavra, em nome de Cristo Jesus. Amém.

Bom, essa é uma cena que acontece em Tessalônica. Os discípulos Paulo e Silas são perseguidos, mas os perseguidores deles não os encontram. Encontram porém os seus hospedeiros, liderados por Jasom. Jasom era o grande responsável pela estada do Paulo e do Silas ali. E eles então arrastam Jasom até as autoridades com uma acusação: que Jasom havia abrigado dois baderneiros, duas pessoas que estão instando o povo contra o Império, contra a pessoa do César. E baseado em que eles fazem essa acusação? No fato de que estas duas pessoas, Paulo e Silas, eles advogam que há um outro rei, e que o nome dele é Jesus, e que isso é um atentado contra o Estado, isso é uma provocação e isso é um ato de sublevação.E os adversários de Paulo e de Silas, os adversários de Jasom, os acusadores de Jasom tinham razão. Era mesmo. Eles só erraram uma coisa. O Paulo e o Silas não diziam que havia outro rei, eles diziam que havia um só rei, e que o nome dele era Jesus, e que todos tinham de se curvar diante dele. E isso é uma mudança de paradigma, é uma mudança de regime, é uma mudança de tudo o que tem a ver com os relacionamentos humanos.E eu queria conversar com vocês um pouco sobre Missão Integral, sobre a minha perspectiva de Missão Integral. Porque o Renê está aqui, todos os outros estão aí, e eu vou dizer o que é Missão Integral? "Não sou doido! Eu sei lá o que é!" Mas como não dá pra navegar sem rumo, eu tenho uma perspectiva. Então é essa perspectiva que eu quero passar pra você, porque não dá pra montar num barquinho e não saber pra onde ir, então, "cê" desenha alguma coisa no horizonte, e é a partir desse desenho no horizonte que eu quero falar com vocês.Eu vou "pegar carona" com o meu amigo Ziel Machado, que diz que a Missão Integral é uma proposta missiológica a partir de uma perspectiva do reino de Deus. E eu "vou na carona" dele porque eu acho que "é por aí" mesmo, pelo menos "é por aí" que eu me entendo quando falo de Missão Integral, e por isso eu escolhi esses dois textos, porque esses dois textos falam exatamente do transtorno que é uma mensagem que proclama um outro rei. Porque proclamar um outro rei é proclamar um outro reino, e proclamar um outro reino é proclamar um novo modo de vida, uma nova Carta Magna, um novo jeito de viver, um novo jeito de se relacionar, tudo agora é diferente: há um novo reino, uma nova dinastia, e esse reino não tem nada a ver com o reino que o antecedeu, portanto, inaugura-se uma nova dimensão para a humanidade. "Tem um novo rei, tem um novo reino. Tem um novo reino, tem uma nova estrutura de Estado, de governo, de relacionamentos etc."

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quarta-feira, junho 03, 2009

lógica do reino

Os guardadores do jardim - Carlinhos Veiga

The Garden of Eden pintado por Jan Brueghel the Elder (1568-1625) por Carlinhos Veiga
O tema Ecologia tem sido cada vez mais presente na agenda dos pensadores e dos formadores de opinião dos nossos tempos. Ecologia, num primeiro momento, significa “o estudo do equilíbrio das coisas vivas na natureza”. No entanto, temos visto com o passar do tempo que a palavra agregou outros sentidos, vindo a ser entendida como o termo que designa o problema da destruição que o homem inferiu sobre a natureza.
Luc Ferry, um escritor francês e professor de Filosofia, lembra que para uns ecologia é uma ciência, enquanto para outros é uma política. “A ecologia, politicamente nascida nos anos 60, toma hoje o lugar dos movimentos contestadores que marcaram a História do final do século XX” (FERRY, L. 1993. Ecodúvidas. In Veja 25 anos: reflexões para o futuro, p. 173).
Segundo Ferry, existem três visões bem distintas da Ecologia nos países onde ela se estruturou. A primeira é uma visão humanista, onde através da proteção do meio ambiente é o homem que se procura salvaguardar. Nessa visão, o meio ambiente em si não tem um valor intrínseco. A visão humanista da ecologia, antropocentrista, diz que a natureza tem papel indireto – o centro é o homem. O meio ambiente é nossa periferia, o que engloba, envolve o homem.
A segunda visão baseia-se no princípio de que não se deve apenas militar em defesa dos direitos do homem. Deve-se visar também à ampliação do bem-estar de tudo o que se encontra na Terra. Assim, atribui-se um valor pelo menos moral a certos seres não humanos e aspira-se um bem-estar de todas as espécies.
A terceira visão sobre Ecologia verbaliza a reivindicação de um “direito das árvores e das pedras”, ou seja, da natureza como tal. Os princípios dessa Ecologia mais radical passam pela revisão do conceito de humanismo moderno. Não se trata mais de considerar o homem como centro do mundo, e sim o cosmos, que, se necessário, deve ser protegido do próprio homem. O ecossistema – ou biosfera – passa a adquirir valor próprio, superior ao da espécie humana.
A visão cristã contrasta com as três acima citadas. Ela parte do princípio de que toda a Criação foi gerada por um Criador. Logo no primeiro versículo da Bíblia, uma diferenciação é posta de maneira clara: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1) . Há um Criador, há uma criação. Isso nega todo materialismo que diz não haver um Criador, e nega todo panteísmo que eleva a criação ao nível de Deus.
O Deus Criador cria todas as coisas e coroa sua esplendorosa obra com a criação do ser humano à sua imagem e semelhança. E dá a este ser um mandato, conhecido na teologia como mandato cultural:
Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. - Gênesis 1.26-28
Para Peskette e Ramachandra, porque os seres humanos são criados à imagem de Deus, são chamados a governar a Terra como vice-regentes de Deus. Sabemos que muitos têm compreendido mal o sentido bíblico da co-regência ou da mordomia, pois essa tarefa não nos permite explorar e subjugar ilimitadamente a natureza.
A humanidade recebe de Deus a ordem de agir como seu representante sobre a terra e suas criaturas. Assim, deve tratar a Criação da mesma maneira que Deus o faria. O jardim não deveria ser possuído pelo ser humano, mas protegido. A visão bíblica implica que não somos nem proprietários nem hóspedes, mas guardadores. Esse é o sentido bíblico para o mandato cultural. Como nos lembram Peskette e Ramachandra, “a Criação existe não para servir a interesses humanos, mas para refletir a glória de Deus (Jó 12.10; Sl 148.7-10,14)”. (PESKETT,H. & RAMACHANDRA, V. 2005. A mensagem da missão: a glória de Cristo em todo o tempo e espaço. ABU Editora, São Paulo, p. 45).
As primeiras evidências de uma preocupação ecológica mundial, embora não haja nenhuma menção de maneira explícita, surgiu em 1945, nas Organizações das Nações Unidas. Na época, propunha-se como tarefa fundamental a segurança mundial. Em 1972, na esteira da ONU, o Clube de Roma lançou um alarme ecológico sobre o estado doentio do planeta Terra. Após estudos e debates esse grupo identificou como a principal causa o “padrão de desenvolvimento consumista, predatório e perdulário”. Desde então surgiu, nos meios que estudam a questão ecológica, o termo “desenvolvimento sustentado”. A conclusão que chegaram é que a questão ecológica transcende o cuidado com a Criação, sendo necessário um novo pacto social de responsabilidade entre todos os humanos, o que implicaria em uma revisão das estruturas mais cristalizadas da sociedade mundial. Um documento foi escrito e chamado de Carta da Terra (A Carta da Terra é um documento que foi trabalhado por mais de 46 países e cerca de 100 mil pessoas. Depois de finalizado em março de 2000 aguarda o endosso da Organização das Nações Unidas. Pretende-se que após aprovada pela ONU ela tenha o mesmo valor que a Carta dos Direitos Humanos). Ela enumera pelo menos quatro pontos básicos que precisariam ser revistos por esse pacto: (1) respeito e cuidado da comunidade da vida; (2) integridade da vida; (3) justiça social e econômica; (4) democracia, não-violência e paz. Ou seja, a questão da Ecologia passa necessariamente por um espectro muito mais amplo, envolvendo questões sociais, políticas e econômicas ao redor do planeta.
Infelizmente, o que se percebe é que a consciência ambiental não tem sido ainda alvo das preocupações da igreja. Muito embora o Conselho Mundial das Igrejas (CMI) tenha alertado para o fato de que a busca por justiça econômica, por paz social e pela “integridade da Criação” vem de mãos dadas, muito pouco tem se produzido e debatido no âmbito dos concílios das nossas igrejas sobre a questão ecológica.
Precisamos de uma Teologia que traga respostas para as questões emergentes de nossa época. Do contrário, todo nosso esforço evangelístico e missionário será vazio e sem conseqüências maiores para um mundo que se desfaz a cada dia pelas mãos de criaturas que ainda não compreenderam qual o seu papel como guardadores do jardim.
Fonte: Trecho de artigo escrito por Carlinhos Veiga para o livro “Missão Integral: Ecologia e Sociedade”, publicado pela W4 Editora.

Bibliografia
BOFF, L. 2003. Ética e eco-espiritualidade, Verus Editora, Campinas.
BOSH, D. J. 2002. Missão transformadora: mudanças de paradigma na teologia da missão, Editora Sinodal, Porto Alegre
CARRIKER, T. 1992. Missões na Bíblia: princípios gerais. Vida Nova, São Paulo.
CARRIKER. T. 1992. Missão integral: uma teologia bíblica. Editora Sepal, São Paulo.
CONGRESSO BRASILEIRO DE EVANGELIZAÇÃO. 2003. Missão Integral: proclamar o Reino de Deus vivendo o Evangelho de Cristo. Editora Ultimato, Viçosa.
FERRY, L. 1993. Ecodúvidas. In Veja 25 anos: reflexões para o futuro.
GEISLER, N. 2002. Ética cristã: alternativas e questões contemporâneas. Vida Nova, São Paulo.
HARRIS, P. 2001. A rocha: uma comunidade evangélica lutando pela conservação do Meio ambiente. ABU Editora, São Paulo.
PADILLA, R. 1992. Missão integral: ensaios sobre o Reino e a igreja. FTL, São Paulo.
PESKETT,H. & RAMACHANDRA, V. 2005. A mensagem da missão: a glória de Cristo em todo o tempo e espaço. ABU Editora, São Paulo.
SCHAEFFER, F.A. 2003. Poluição e a morte do homem, Editora Cultura Cristã, São Paulo.
VAN DYKE, F.& MAHAN, D.C.& SELDON, J.K.& BRAND, R.H. 1999. A criação redimida: a base bíblica para a mordomia ecológica. Editora Cultura Cristã, São Paulo.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Li e gostei (4)

O deserto, o jardim e a montanha -
por Osmar Ludovico in Meditatio

Durante trinta anos, Jesus Cristo viveu no anonimato, possivelmente ajudando o pai na marcenaria, em Nazaré. Esperou pacientemente seu tempo chegar até ser batizado. Naquele momento, diante de João Batista e seus discípulos, o Deus dos céus falou de forma audível sobre sua identidade: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado”. Momento misterioso do encontro trinitário: a presença do Pai, do Filho encarnado e do Espírito Santo.


Maior de idade, reconhecido pelo Pai, Jesus Cristo estava pronto para iniciar seu ministério público num mundo conturbado, cheio de demandas, necessidades e carências. Ele teria pouco tempo, somente três anos. Embora premido pela urgência e pela magnitude de sua missão, o Espírito o conduziu a uma experiência de silêncio e solitude de quarenta dias no deserto.


No deserto não há apetites, estímulos ou alguém a quem culpar. Ficamos longe de nossas rotas habituais de fuga: a agitação, a correria, o ativismo, a tagarelice, os muitos ruídos. Só quando adentramos o silêncio e a solitude é que Deus tem toda a nossa atenção voltada para ele.
No entanto, temos medo de estar sós, sem nada para fazer, medo dos sentimentos de abandono e inutilidade. Tal medo é tão grande que enchemos o tempo com atividades estéreis. A solidão é angústia da alma, uma ferida incurável. Por causa dela, busca-se desesperadamente no outro a aceitação e o acolhimento incondicionais. Não encontrando, saímos vazios de nossas realizações e nossos relacionamentos. Aí investimos mais e mais, até nos sentirmos desanimados, mal-amados e cépticos.


Solitude é diferente de solidão; é estar só de forma plena, alegre e revigorante. No momento de solitude emerge outra presença. Retiramo-nos do público e da ribalta para entrar naquele espaço mais profundo da alma, da realidade pessoal, que também é habitado por Deus.
Na solitude não há espaço para a angústia da solidão, mas para a restauração do vigor e o livramento das vozes vazias e das representações. O deserto torna a pessoa íntima de si, e ela se descobre criada à imagem e à semelhança de Deus, plenamente amada e reconhecida.
Somente quando entramos nessa dimensão íntima e solitária é que somos levados ao nosso coração e ao coração de Deus. Então sintonizamos a presença silenciosa do Senhor em nós numa relação de amor, na qual somos acolhidos e restaurados.


Nesse local sereno, no fundo da alma, na solitude e no silêncio, jorra uma fonte de eterna satisfação e alegria que conduz à experiência amorosa e livre de encontro com o outro, o semelhante. Apenas quando sabemos estar sozinhos, em silêncio, reverentes diante da face silenciosa e amorosa de Deus, é que nossa narrativa é transformada. A linguagem deixa de ser explicativa, argumentativa, informativa ou persuasiva para se tornar intimista.
No deserto, longe das distrações e do ativismo, Jesus Cristo é tentado. Significa dizer que só no silêncio e na solitude se revelam as falhas de caráter mais profundas, o pecado, a maldade, os desejos egoístas, o orgulho. O tempo no deserto quebranta, leva à confissão, conduz a uma experiência de arrependimento e fé, fazendo perceber a profundidade da graça que renova o compromisso. Tornamo-nos mãos santos e nos reapaixonamos por Deus.


Por isso, Jesus Cristo tinha três locais de isolamento e quietude: o deserto, o jardim e a montanha. Para eles o Mestre se dirigia em busca desse tempo vital, imprescidível para a restauração espiritual. O deserto é um local ermo, sem distrações, estímulos ou apetites. O jardim é o local florido, perfumado e colorido, festa para os olhose ouvidos. É quando se pode sintonizar com a criação e louvar a Deus junto com ela. A montanha é o local remoto, escondido, que implica uma subida (preparação), um topo (oração) e, por fim, uma descida (encarnação).


Tudo isso parece distante de nós. As atividades comunitárias são importantes, mas será que não deveríamos separar mais tempo e espaços especiais para desenvolvermos nossa vida devocional em silêncio e solitude?

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Você pode ter - João Alexandre

terça-feira, janeiro 06, 2009

Muito mais que 3 Reis magos


Hoje eu e uma pá de gente
vai colocar o livro do Brabo
na posta do Dia de Reis...
Mas quando é bom vale a repetição.
Vai lá.

quinta-feira, novembro 27, 2008

ANSIEDADE: Doença da desconfiança!
Texto para leitura: Mateus 6

Jesus quase não falou de muitos temas que não saem de nossas conversas e preocupações.
Por exemplo, o amor entre um homem e uma mulher não tem Nele um poema, uma fala, um discurso. E acerca de sexo (outro campeão de audiência entre nós), Ele falou quando forçado pelas circunstâncias ou em razão de questões de outros.

Porém, por Ele, espontaneamente, tais temas não foram propostos.
O mesmo não se pode dizer da ansiedade.
A ela Jesus reserva significativo espaço no bojo de Seu ensino essencial: o Sermão do Monte.
De fato, isoladamente, é o assunto tratado de modo mais ilustrado e longo em todo o sermão (Mateus 5 - 7).
E por quê? Ora, as razões são muitas. E os básicos logo as associam às dificuldades da existência em todos os tempos; os psicólogos não resistem à tentação de associá-la ao mundo estressado no qual todos vivemos; tratando, assim, não da própria ansiedade, mas dos agentes contemporâneos de sua emulação.
De fato, há muitas causas secundárias quando se pensa em ansiedade. No entanto, no curto espaço deste texto, quero apenas falar acerca de três causas essenciais.
1. A ansiedade como perversão do olhar prospectivo. De fato, só somos ansiosos porque fomos dotados da bênção do olhar prospectivo. Fomos feitos capazes de olhar para o futuro mediante a imaginação, a lógica histórica, a acumulação de experiências e, sobretudo, em razão da necessidade humana de pensar no dia de amanhã, no qual, miticamente, estocamos o bem e o mal, dependendo de nosso estado de espírito. Todavia, como disse, a ansiedade é uma perversão de uma virtude: a bênção do olhar prospectivo. Na realidade, a ansiedade é a esperança vivida como experiência do pecado de ser, o qual se manifesta como incapacidade de crer no cuidado de Deus em razão de nosso descuidado para com Ele em amor. Assim, ansiedade é a expectativa de que no amanhã estaremos em perigo. O pecado perverteu todo olhar perspectivo e prospectivo.
2. A ansiedade como a esperança da Queda. Na realidade, a ansiedade é a maligna manifestação da “esperança na Queda”. Num mundo onde o ser se sabe afastado de Deus, toda expectativa é sempre contra nós, e sua forma existencial e psicológica de se fazer desesperança é mediante a ansiedade.
3. A ansiedade como desconfiança de Deus. Quando Jesus enfatizou a ansiedade como problema, o que Ele diagnosticou como causa foi a falta de confiança real no Deus real, no Deus que cuida, que é Pai, que está atento, que se dedica a ervas e pássaros, e, portanto, tem muito mais razão para cuidar da existência humana. E tudo quanto Jesus disse acerca da ansiedade se faz concluir com um convite a entrega total à confiança no reino de Deus; ou no Deus que reina sobre a vida; especialmente sobre os detalhes mais sutis. Assim, Jesus mandou que a fonte da energia espiritual e vital de cada um de nós se concentrasse apenas nas coisas que carregam o espírito do reino de Deus, pois, assim, seremos agidos por Deus, que é o que faz com que todas as coisas necessárias à vida nos sejam naturalmente acrescentadas.
Onde há ansiedade, aí ainda não há a prevalência da confiança. Ou, então, aí se instalou “um vício de sentir contra nós”, o qual só pode ser vencido mediante a entrega em fé ao amor e aos cuidados misteriosos do Pai.
Nele,

Caio Fábio

quarta-feira, novembro 19, 2008

II Fórum Cristianismo Criativo

Já há duas semanas que tenho acompanhado online o II Fórum Cristianismo Criativo , estes vídeos são trechos da primeira sexta-feira sob o tema "Viciados em Mediocridade" assiste, e acompanha pelo portal cristianismo criativo nesta sexta às 21h (hora portuguesa).

Os estrevistados nesta 1ª noite foram - Taís Machado - assessora da ABUP e, João Alexandre, músico. Com o Sérgio Pavarini como apimentador, digo, entrevistador.

Parte I




Parte II



sexta-feira, novembro 07, 2008

II Fórum Cristianismo Criativo

A ver ao vivo o fórum Cristianismo Criativo que está a acontecer na livraria Cultura do Shopping Market Place em São Paulo. Se podes corre lá pra ver. Se tás no comps acede http://www.ustream.tv/channel/portal-cristianismo-criativo e assiste online.

segunda-feira, junho 04, 2007

lógica do reino - explicando a lógica e o reino


Boa noite! Graça e paz!
Privilégio muito grande estar com vocês. Realmente, um privilégio. Eu queria convidá-los a abrirem suas Bíblias em Atos, capítulo 17, versículo 6. Nós vamos ler os versículos 6 e 7. Atos, capítulo 17, versículos 6 e 7. (Tem gente que é conhecido pela palavra e outro pelo que bebe de água, não é?)
Texto bíblico:

Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui, os quais Jasom hospedou. Todos estes procedem contra os decretos de César,
afirmando ser Jesus outro rei.

Oração: Pai querido, obrigado por tudo que o Senhor já nos falou. Eu rogo que o Senhor continue a nos ministrar através da tua Palavra, em nome de Cristo Jesus. Amém.

Bom, essa é uma cena que acontece em Tessalônica. Os discípulos Paulo e Silas são perseguidos, mas os perseguidores deles não os encontram. Encontram porém os seus hospedeiros, liderados por Jasom. Jasom era o grande responsável pela estada do Paulo e do Silas ali. E eles então arrastam Jasom até as autoridades com uma acusação: que Jasom havia abrigado dois baderneiros, duas pessoas que estão instando o povo contra o Império, contra a pessoa do César. E baseado em que eles fazem essa acusação? No fato de que estas duas pessoas, Paulo e Silas, eles advogam que há um outro rei, e que o nome dele é Jesus, e que isso é um atentado contra o Estado, isso é uma provocação e isso é um ato de sublevação.
E os adversários de Paulo e de Silas, os adversários de Jasom, os acusadores de Jasom tinham razão. Era mesmo. Eles só erraram uma coisa. O Paulo e o Silas não diziam que havia outro rei, eles diziam que havia um só rei, e que o nome dele era Jesus, e que todos tinham de se curvar diante dele. E isso é uma mudança de paradigma, é uma mudança de regime, é uma mudança de tudo o que tem a ver com os relacionamentos humanos.
E eu queria conversar com vocês um pouco sobre Missão Integral, sobre a minha perspectiva de Missão Integral. Porque o Renê está aqui, todos os outros estão aí, e eu vou dizer o que é Missão Integral? "Não sou doido! Eu sei lá o que é!" Mas como não dá pra navegar sem rumo, eu tenho uma perspectiva. Então é essa perspectiva que eu quero passar pra você, porque não dá pra montar num barquinho e não saber pra onde ir, então, "cê" desenha alguma coisa no horizonte, e é a partir desse desenho no horizonte que eu quero falar com vocês.
Eu vou "pegar carona" com o meu amigo Ziel Machado, que diz que a Missão Integral é uma proposta missiológica a partir de uma perspectiva do reino de Deus. E eu "vou na carona" dele porque eu acho que "é por aí" mesmo, pelo menos "é por aí" que eu me entendo quando falo de Missão Integral, e por isso eu escolhi esses dois textos, porque esses dois textos falam exatamente do transtorno que é uma mensagem que proclama um outro rei. Porque proclamar um outro rei é proclamar um outro reino, e proclamar um outro reino é proclamar um novo modo de vida, uma nova Carta Magna, um novo jeito de viver, um novo jeito de se relacionar, tudo agora é diferente: há um novo reino, uma nova dinastia, e esse reino não tem nada a ver com o reino que o antecedeu, portanto, inaugura-se uma nova dimensão para a humanidade. "Tem um novo rei, tem um novo reino. Tem um novo reino, tem uma nova estrutura de Estado, de governo, de relacionamentos etc."
Então a minha primeira perspectiva é essa, que a primeira coisa que o conhecimento do reino de Deus traz é a mensagem de uma ruptura. Se tem um novo rei, então houve uma revolução, porque o outro reino, o reino anterior a esse e tudo o que tinha a ver com ele acaba de ser relativizado, acaba de não valer mais, acaba de não ter mais nenhum valor pra conduzir a vida dos homens. E isso é um estado de guerra, isso é um estado belicoso declarado de forma enfática e sem desculpas. "Trazemos a mensagem de um novo rei, de um novo reino. Na verdade, ele não é um novo rei nem é um novo reino do que nós estamos falando. Nós estamos falando do único rei e do seu reino." Então isso é um ataque frontal a tudo que está posto, isso é um ataque frontal a tudo que está determinado, isso é um ataque frontal a tudo que parece que já estava estabelecido.
Bom, a primeira grande notícia que esse reino traz é que é possível entrar nesse reino. Essa é a primeira grande notícia, porque se você pensar nas categorias romanas, a chegada dos romanos numa nova terra, significa que a terra provavelmente vai ser tomada, porque era impossível vencer as hostes, as legiões romanas e todo mundo vai ser escravo. "Porque os romanos vem aí e os romanos vão escravizar todo mundo." Não dá pra ser cidadão romano. O grande trunfo que o Paulo teve, que o levou ao ser julgado, a apelar para César, é que ele era cidadão romano, e o próprio centurião que o levava disse que só conseguiu isso à custa de muito sacrifício. E o Paulo disse: Eu nasci romano, eu sou romano de nascença. Por que? Porque se você não é cidadão romano, você é escravo dos romanos. Então a chegada de um novo reino significa em princípio dentro daquela perspectiva: "Vamos ter uma batalha, vamos ter uma guerra e os derrotados serão escravizados." Bom, esse reino começa com uma boa notícia, e a boa notícia é que todo mundo pode entrar nesse reino, as portas do reino estão abertas, todo mundo é bem-vindo, todo mundo está convidado a mudar de lado, a vir para o reino. O reino não faz escravos, o reino não faz prisioneiros, o reino só liberta. Essa é a primeira grande notícia desse reino. Este não é um reino que faz escravos, este não é um reino que faz prisioneiros, este é um reino que só liberta.
Então isso é extraordinário, essa é a primeira lição, a primeira grande notícia. "Todo mundo é bem-vindo para esse reino. Pode vir, as portas estão abertas." E esse reino é extraordinário porque quando você vê esse reino você já está dentro. Lá em João, capítulo 3, Jesus Cristo disse isso de forma muito curiosa. Ele diz assim no versículo 5: "Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus". E depois, ele diz mais, ele diz que "quem não nascer da água e do Espírito não pode ver o reino de Deus". E isso é interessante porque ele diz assim: "Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". Isso no versículo 3 e depois no versículo 5 ele diz: "Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus", que é a mesma coisa que nascer de novo. Isso quer dizer que o reino de Deus é um reino que a gente só vê quando está dentro, porque "se não nasce de novo não pode ver, se não nasce de novo não pode entrar" então quando vê já está dentro. É como se você estivesse andando numa praça, todo dia você passa por aquela praça e você não sabe que ali tem uma nave espacial pousada e você não sabe porque a nave é invisível, logo, você não a vê e não pode ver mesmo, é invisível, então você está passeando na praça, de repente, um dia, a porta da nave se abre e você é sugado pra dentro e você diz: "Uma nave!" Pronto! Se viu é porque já está dentro. Então o reino é a mesma coisa, quando você viu o reino você já está dentro. O reino de Deus tem essa coisa, e todo mundo pode ser tragado pelo reino de Deus. O reino de Deus está aqui para tragar todas as pessoas para a liberdade. Então esse reino não faz escravos, esse reino não faz prisioneiros, esse reino só liberta. Essa é a primeira grande notícia desse reino.
Mas esse reino também tem uma série de outras coisas, aliás, eu queria aproveitar o ensejo, antes de dizer na minha perspectiva o que é Missão Integral, é dizer o que não é Missão Integral. Na minha perspectiva, Missão Integral não é Igreja fazendo ação social. "Tá certo?" Então logo de cara, Igreja fazendo ação social não é Missão Integral. Missão Integral é uma outra coisa, primeiro é o anúncio de um reino. Um novo rei, um novo reino. Esse reino é um reino que liberta, é o reino da libertação, ele não faz escravos, ele não faz prisioneiros, ele só liberta. Todo mundo pode ser membro desse reino, não é como o Império romano em que quem não era romano era escravo dos romanos. Todo mundo pode ser membro desse reino, pode entrar nesse reino e, mesmo os que não entraram ainda nesse reino são abençoados por ele, porque mesmo que nem todos entrem no reino, o reino veio pra entrar na vida de todo mundo de alguma maneira. E esse reino extraordinário entra por exemplo, pela via econômica. Tem uma nova dinâmica a economia. Lá em 2ª Coríntios, 8.13 está escrito assim: "Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade". Do quê que ele está falando? Ele está falando que aquele que colheu demais não deve ter sobrando para que aquele que colheu de menos não passe necessidade. Então tem uma nova economia nesse reino, uma economia solidária. A dinâmica desse reino do ponto de vista econômico é a solidariedade. Aquele que colheu de menos não vai passar necessidade porque aquele que colheu demais não vai acumular, vai repartir. Então é uma nova dinâmica no reino, uma nova economia. A economia deste reino é uma economia solidária. Esse reino traz a resposta pra uma das três perguntas que a humanidade faz. A humanidade sempre pergunta, entre outras coisas, o quê que a gente faz com a riqueza do planeta? E nós tentamos responder essa pergunta de várias maneiras, desde o tempo do escambo, em que havia a simples troca de mercadorias até o capitalismo moderno, do dinheiro de plástico, e nós não conseguimos evitar a fome e a miséria, não conseguimos debelar a pobreza. A resposta do reino de Deus é solidariedade. Quem colheu demais não acumule para que quem colheu de menos não passe necessidade. Todo mundo trabalha pra todo mundo. Isso é solidariedade. É a proposta econômica do reino. É uma proposta que passa por uma visão de responsabilidade para com o outro, porque em Efésios 4.28 diz: "Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado." Então como eu disse, essa perspectiva de Missão Integral, não é que Missão Integral é Igreja fazendo ação social, é Igreja tendo uma nova dinâmica de sociedade e agindo a partir dessa nova dinâmica, e essa nova dinâmica de sociedade é que, no que depender de nós, a sociedade humana tem de se parecer, o máximo possível, com o reino de Deus. E como é que a sociedade humana se parece o máximo possível com o reino de Deus? Do ponto de vista da economia, optando pela solidariedade. O que ganha demais não acumula para que o que ganha de menos não passe necessidade. Igualdade é o tema do apóstolo Paulo. Como é que isso acontece? "Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado." O interessante é que se esse texto dissesse: "Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe para poder pagar suas próprias contas" a gente acharia um bom texto, mas esse texto vai mais longe. Ele diz que: "Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado",ou seja, o contrário de roubar, na Bíblia, não é trabalhar para pagar as suas contas, o contrário de roubar na Bíblia é se responsabilizar pelos necessitados.
Ora, quando nós olhamos para um sistema, que basicamente se sustenta no roubo, porque o trabalho humano é lesado, é roubado, seres humanos não são recompensados à altura do seu sacrifício, então o reino de Deus chega, e o quê que vai mudar nesse sistema? Esse sistema vai ser um sistema que cuida prioritariamente dos necessitados, "todo mundo trabalha para todo mundo".
Mas vamos continuar nas Escrituras. Em Deuteronômio 25.4, e o apóstolo Paulo vai citar esse texto novamente, diz assim: "Não atarás a boca ao boi quando debulha". O boi está lá, debulhando o trigo e comendo dos grãos que debulha. E a ordem em Deuteronômio é: "deixe o boi comer, não vá fechar a boca do bichinho, deixe ele comer." Qual é o princípio que está aqui? O trabalhador tem de ser o primeiro a desfrutar do resultado do seu trabalho. O "sujeito" não pode trabalhar numa coisa que ele mesmo nunca vai ter acesso. O trabalhador tem de ser o primeiro a desfrutar do resultado do seu trabalho. Então isso é uma nova sociedade, uma sociedade que privilegia o trabalho e o trabalhador. Uma sociedade que diz: "O boi que está debulhando o milho, tem o direito de comer do milho que debulha. Deixa o bichinho comer. Qual é o problema? Ele que está fazendo o esforço, ele que está trabalhando, ele que está dando duro. Deixa ele comer do resultado do seu trabalho". Então o reino de Deus é uma nova dinâmica espiritual, no sentido de que a porta da libertação espiritual, metafísica, está aberta para todo mundo, mas é também uma nova dinâmica econômica. Todo mundo pode entrar no reino de Deus, mas o reino de Deus também veio para entrar na realidade de todo mundo. Por isso, quando a gente chega numa favela, e encontra uma criança brincando num esgoto aberto, e bate à porta da casa da pessoa que cuida da criança, ou é o pai da criança, ou é a mãe da criança, a gente pode bater à porta e quando ela atender, a gente pode dizer sem medo e sem nenhum constrangimento: "Eu vim trazer boas notícias para a senhora. O reino de Deus chegou e isso significa que a senhora não só tem a porta de acesso ao Todo Poderoso aberta para a senhora, mas também que agora o Todo Poderoso vem anunciar que a senhora tem direito a viver, a morar de maneira digna. E nós viemos nos irmanar com a senhora nessa luta pelo direito à propriedade que é seu, porque o reino de Deus chegou, e essa é a ordem do reino". O trabalhador tem de ser o primeiro a desfrutar do resultado do seu trabalho, e mais, a chegada do reino de Deus significa que vai haver uma mudança na estrutura agrária e urbana, porque está escrito em Isaías, capítulo 5, versículo 8: "Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e ficam como únicos moradores no meio da terra!" A chegada do reino de Deus é a chegada de uma nova dimensão sobre o que é justiça agrária e justiça urbana. Então, imagine, a igreja que está vivendo Missão Integral, ela está tomando partidos, porque Deus tomou partido! Deus tomou partido, a Igreja toma partido. Deus diz que tem de ter igualdade e a igreja diz que tem de ter igualdade. E "se o cara chiar" a gente sempre pode dizer: "eu sou o papagaio de Deus. Deus ´falou´ igualdade, eu estou ´falando´ igualdade. Como eu não tenho altura para ser profeta, eu tenho pelo menos o jeito para ser papagaio. Então eu sou o papagaio de Deus, está certo? Eu sou o papagaio de Deus". Deus disse que é para ter igualdade, que quem colhe demais não é para acumular para que quem plantou de menos não tenha perdas, não passe necessidade, então, essa é a ordem. Deus disse "maldito o sujeito que reúne casa sobre casa e terra sobre terra até ser o único morador do lugar". Então tem de ter reforma agrária e tem de ter reforma urbana.
Um dia uma vereadora que disse que tinha se convertido (é, porque eu acredito na irmã mas eu não posso dizer, só Deus pode dizer quem se converteu). Ela falou que tinha, e eu falei:
— Que bom irmã, Deus a abençoe. Conversão é algo muito bom. Só faz bem se converter. A senhora está certa em vir para o reino de Deus. E aí ela falou assim:
— Então pastor, como o senhor acha que pode me ajudar aqui no meu mandato etc? Porque eu queria que o pessoal soubesse...
— A senhora quer que o pessoal saiba que a senhora é crente e tal?
— É! Eu gostaria que a igreja soubesse de mim! Aí eu falei:
— Ah! Isso é fácil! "Dois tempos, dois palitos". Eu vou dar uma sugestão para a senhora e na hora que a senhora fizer isso (ela era da "situação") a igreja toda vai saber da senhora, aliás, o mundo todo vai saber da senhora. Ela falou:
— É mesmo?!
— A senhora faz um projeto de Lei assim: "Todos os prédios ociosos na cidade de São Paulo, que estão sendo usados para especulação imobiliária e que estão com o IPTU nas alturas, que todo mundo sabe que o ´sujeito´ não vai pagar enquanto não vender aquilo por um preço ´biliardário´, estão automaticamente desapropriados socialmente para reforma urbana, para a habitação dos sem-teto". Aí ela olhou para mim e disse:
— O senhor está falando sério?
— Eu falei: Minha irmã, eu sou pastor. Pastor só fala sério. E isso é coisa seríssima. A senhora anota aí, pede aí para a moça que trabalha com a senhora para anotar aí. A senhora quer ser conhecida pela igreja? Pois então a senhora vai ser conhecida no mundo todo! E não vai lhe custar nada, não vou te pedir nem uma "ofertinha" por essa sugestão. A senhora só escreve aí, fala com o seu prefeito e faz um projeto de Lei: "Todos os prédios ociosos dessa cidade, que estão com o IPTU pelas tampas, estão desapropriados para uso social, para atender à demanda dos sem-teto". O quê que a senhora acha? Essa vai ser a maior prova da sua conversão.
— Pastor, a minha assessora anotou tudo! Eu falei:
— Eu vi minha senhora, eu vi...
Ficou na anotação. Eu acho que a moça deve ter perdido. É muito papel! Essas coisas acontecem...
Mas de qualquer maneira, o reino de Deus estabelece uma nova dinâmica. Uma nova dinâmica agrária.
A outra coisa que o reino muda é a política. O reino muda a dinâmica política. Lá em Mateus 20.25, o reino diz assim: "Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo". Mudou a política. Agora, o "sujeito" não está mais no poder, está no serviço. Os cristãos não perguntam: que partido está no poder? Os cristãos perguntam: que partido está no serviço? Que partido está na posição de diácono? Porque o maior é o que serve. Então esse é o maior? Então ele é o servo dos servos. Como ele está servindo à população?(...)
Então o quê que foi que mudou com a chegada do reino? Mudou a economia. Agora, a proposta é a solidariedade e o alvo é a igualdade. Mudou a relação de trabalho. Porque agora, o trabalhador tem de ser o primeiro a desfrutar do resultado do seu trabalho. Mudou a relação política. Agora, o "sujeito" não é eleito para assumir o poder, o "sujeito" é eleito para assumir o serviço. Se a Igreja ganha essa consciência, a Igreja se torna profeta dos profetas, se torna o grande arauto da justiça. E a Igreja "bota" a casa em ordem e diz para o pessoal que eles estão lá para servir. E isso no Brasil é extremamente importante, porque depois que D. João VI veio aqui e transformou o Brasil em Reino Unido: Portugal, Algarves e Brasil. E foi, na verdade, um golpe contra a gente, porque a gente nem era nação ainda e já tinha um Estado. Não tinha consciência de brasilidade, a não ser talvez os pernambucanos, que dizem que o Brasil nasceu lá, mas fora dos pernambucanos, todo mundo aqui era aventureiro. Nós nem tínhamos noção de brasilidade e aí chega o D. João VI e estabelece o Estado. A gente "dormiu colônia e acordou Estado". O Estado era um Estado monárquico e portanto era governado por nobres. Desde que isso aconteceu, todo "sujeito" no Brasil sonha em ser eleito para virar nobre. Já notou? Enquanto o cara não é eleito, você acha o cara em tudo quanto é lugar, ele é onipresente. Ubiqüidade se chama isso. Ubiqüidade política. Ele está em tudo quanto é lugar, você acha o homem em todo lugar. Depois que ele é eleito, ele vira nobre. Ele se encastela e você nunca mais acha o "dito cujo", ou a "dita cuja". Virou nobre! Todo mundo quer ser nobre! Pois então a Igreja brasileira tem de começar a ser a primeira a dizer: "não moço! O senhor não foi eleito para o poder, o senhor foi eleito para o serviço. Poder quem tem, é o ´sujeito´ que está com a carteirinha do Título de Eleitor. Esse é o pessoal que tem poder. O senhor foi chamado para o serviço. O senhor não é nobre. Nobre é a gente, o povo é nobre, o senhor é serviçal, então, faça o favor de prestar seu relatório.
E nós temos um programa. Um programa para a economia, um programa para a relação de trabalho e um programa para a relação com o poder.
E, finalmente, a chegada do reino de Deus significa a libertação do oprimido das mãos do opressor. Lá em Jeremias 21.12 diz: "Ó casa de Davi, assim diz o Senhor: Julgai pela manhã justamente e livrai o oprimido das mãos do opressor; para que não seja o meu furor como fogo e se acenda, sem que haja quem o apague, por causa da maldade das vossas ações".
Bom, Jesus de Nazaré é a raiz, é o broto da raiz de Jessé. Ele é o Senhor da Casa de Davi e ele veio para livrar o oprimido das mãos do opressor.
Então, quando eu penso em Missão Integral, eu penso que, o que nós estamos dizendo, o que eu apreendi de ler os mestres é que a missão da Igreja é integral, ou seja, a Igreja abre o reino para o mundo e muda o mundo com o reino.
Que Deus nos abençoe.