quinta-feira, novembro 27, 2008

ANSIEDADE: Doença da desconfiança!
Texto para leitura: Mateus 6

Jesus quase não falou de muitos temas que não saem de nossas conversas e preocupações.
Por exemplo, o amor entre um homem e uma mulher não tem Nele um poema, uma fala, um discurso. E acerca de sexo (outro campeão de audiência entre nós), Ele falou quando forçado pelas circunstâncias ou em razão de questões de outros.

Porém, por Ele, espontaneamente, tais temas não foram propostos.
O mesmo não se pode dizer da ansiedade.
A ela Jesus reserva significativo espaço no bojo de Seu ensino essencial: o Sermão do Monte.
De fato, isoladamente, é o assunto tratado de modo mais ilustrado e longo em todo o sermão (Mateus 5 - 7).
E por quê? Ora, as razões são muitas. E os básicos logo as associam às dificuldades da existência em todos os tempos; os psicólogos não resistem à tentação de associá-la ao mundo estressado no qual todos vivemos; tratando, assim, não da própria ansiedade, mas dos agentes contemporâneos de sua emulação.
De fato, há muitas causas secundárias quando se pensa em ansiedade. No entanto, no curto espaço deste texto, quero apenas falar acerca de três causas essenciais.
1. A ansiedade como perversão do olhar prospectivo. De fato, só somos ansiosos porque fomos dotados da bênção do olhar prospectivo. Fomos feitos capazes de olhar para o futuro mediante a imaginação, a lógica histórica, a acumulação de experiências e, sobretudo, em razão da necessidade humana de pensar no dia de amanhã, no qual, miticamente, estocamos o bem e o mal, dependendo de nosso estado de espírito. Todavia, como disse, a ansiedade é uma perversão de uma virtude: a bênção do olhar prospectivo. Na realidade, a ansiedade é a esperança vivida como experiência do pecado de ser, o qual se manifesta como incapacidade de crer no cuidado de Deus em razão de nosso descuidado para com Ele em amor. Assim, ansiedade é a expectativa de que no amanhã estaremos em perigo. O pecado perverteu todo olhar perspectivo e prospectivo.
2. A ansiedade como a esperança da Queda. Na realidade, a ansiedade é a maligna manifestação da “esperança na Queda”. Num mundo onde o ser se sabe afastado de Deus, toda expectativa é sempre contra nós, e sua forma existencial e psicológica de se fazer desesperança é mediante a ansiedade.
3. A ansiedade como desconfiança de Deus. Quando Jesus enfatizou a ansiedade como problema, o que Ele diagnosticou como causa foi a falta de confiança real no Deus real, no Deus que cuida, que é Pai, que está atento, que se dedica a ervas e pássaros, e, portanto, tem muito mais razão para cuidar da existência humana. E tudo quanto Jesus disse acerca da ansiedade se faz concluir com um convite a entrega total à confiança no reino de Deus; ou no Deus que reina sobre a vida; especialmente sobre os detalhes mais sutis. Assim, Jesus mandou que a fonte da energia espiritual e vital de cada um de nós se concentrasse apenas nas coisas que carregam o espírito do reino de Deus, pois, assim, seremos agidos por Deus, que é o que faz com que todas as coisas necessárias à vida nos sejam naturalmente acrescentadas.
Onde há ansiedade, aí ainda não há a prevalência da confiança. Ou, então, aí se instalou “um vício de sentir contra nós”, o qual só pode ser vencido mediante a entrega em fé ao amor e aos cuidados misteriosos do Pai.
Nele,

Caio Fábio

segunda-feira, novembro 24, 2008

Psicologizando 4

Psicodinâmica e Sacrodinâmica -parte 4 (final)
Conclusão
Procuramos destacar a impor-tância da fé como fator crucial para o desenvolvimento humano. As pesquisas que apontamos enfatizam sempre que ela não é estática. Ao contrário, a fé goza de um dinamismo que lhe é próprio e a impulsiona a estágios evolutivos em que alcança expressão cada vez maior. Isso se dá em articulação com o desenvol-vimento global do ser e, em particular, com as etapas do desenvolvimento psicológico. Aventamos a hipótese de que correntes teóricas da psicologia, tais como a psicanálise e outras, falharam exatamente em não atentar para a plasticidade e a riqueza dinâmica da fé. Tendo sido concebidas a partir de dados colhidos em situações clínicas, o que pressupõe prioridade a conteúdos regressivos, elas se depararam com expressões deformadas e imaturas de fé, que foram tomadas de maneira generalizada. Por outro lado, escolas psicológicas que valorizaram o desenvolvimento saudável e a progressão à maturidade foram mais felizes em reconhecer o lugar da fé. Estas últimas continuam estimulando pesquisas que esclarecem o lugar da fé na estruturação da personalidade. A fé é um fenômeno universal. Recorrendo ainda a Fowler, encontramos os seguintes esclareci-mentos: "A fé é uma preocupação humana universal. Antes de sermos religiosos ou irreligiosos, antes de nos concebermos como católicos, protestantes, judeus ou muçulmanos, já estamos engajados em questões de fé. Quer nos tornemos incrédulos, agnósticos ou ateus, estamos preocupados com as formas pelas quais ordenamos a nossa vida e com o que torna a vida digna de ser vivida. Além disso, procuramos algo para amar, e que nos ame; algo para valorizar, e que nos dê valor; algo para honrar e respeitar, e que tenha o poder de sustentar nosso ser"24. (p.16).
A aventura da fé molda e impulsiona nossas trajetórias de vida. O referencial maior encontramos na personalidade ímpar de Jesus Cristo, exemplo de fé madura e integridade pessoal. Em nome dele "a comunidade cristã, através da história, tem convidado a humanidade a enfrentar as crises das experiências limite de cada estágio da vida com a resposta da fé, isto é, a conversão; a Bíblia mesma nos coloca o desafio da ´metanoia´, conversão, uma mudança da mente" 25.(tradução do autor)
Uriel Heckert é Médico Psiquiatra e Professor Universitário em Juiz de Fora, e presidente nacional do CPPC

1 TILLICH, Paul. Dinâmica da fé. Trad. de Walter Schlupp. Ed. Sinodal, São Leopoldo, 1974, p. 13.
2 FOWLER, James W. Estágios da fé. Trad. de Júlio Paulo T. Zabatiero. Ed. Sinodal, São Leopoldo, 1992, p.15.
3 id. ibid., p.22.
4 ELLENS, J.Harold The ulfolding christian self. In: ADEN, LeRoy; BENNER, David G.; ELLENS, J. Harold (org.) Christian perspectives on human development. Baker Book House, Grand Rapids, MI, 1992, p.141.
5 TILLICH, Paul, op.cit.
6 FOWLER, James W., op.cit.
7 HERNÁNDEZ, Carlos J. O lugar do sagrado na terapia. Trad. de Therezinha F. Privatti. Ed. Nascente/CPPC, São Paulo, 1986.
8 FREUD, Sigmund; PFISTER, Oskar. Cartas. Trad. de Karin H. Wondracek. Ed. Ultimato, Viçosa, 2000.
9 FRANKL, Viktor E. A presença ignorada de Deus. Trad. de Esly R.S.C. Hoersting, Zilda C. de Souza e Walter Schlupp. Ed. Imago/Sinodal/Sulina, Porto Alegre, 1985, p. 48.
10 TILLICH, Paul, op. cit., p. 8.
11TOURNIER, Paul El personaje y la persona. Trad. de Viviana Hanono. Ed. La Aurora, Buenos Aires, 1974.
12 ______________ La aventura de la vida. Trad. de Graziela Baravalle. Ed. La Aurora, Buenos Aires, 1976, p.287.
13 HERNÁNDEZ, Carlos J., op. cit., p.18.
14 ELLENS, J. Harold, op.cit., p.129.
15 ADEN, LeRoy Faith and the developmental cycle. In: ADEN, LeRoy; BENNER, David G.; ELLENS, J. Harold (org.) Christian perspectives on human development. Baker Book House, Grand Rapids, MI, 1992, p.33.
16 FOWLER, James W., op. cit., p.201-212.
17 id. ibid., p.107.
18 id. ibid., p.129.
19 id. ibid., p.147.
20 id. ibid., p.167.
21 id. ibid., p.169-170.
22 BONAVENTURE, Leon Apresentação. In: BÜRKI, Ago Fillenz Não sou mais a mulher com quem você se casou. Trad. de João Rezende Costa. Ed. Paulus, São Paulo, 1997, p.5.
23 ELLENS, J. Harold, op. cit., p.143.
24 FOWLER, James W., op. cit., p.16.
25 ELLENS, J. Harold, op. cit., p.142.

domingo, novembro 23, 2008

Psicologizando 3

Psicodinâmica e Sacrodinâmica - parte 3
por Uriel Heckert é Médico Psiquiatra e Professor Universitário em Juiz de Fora, e presidente nacional do CPPC

Estágios da Fé
Reconhecido o lugar do sagrado, podemos perceber como a fé ganha importância relevante dentro da história de vida de cada pessoa. Assim, ela deve ser estudada nas suas expressões características, articulando-se com as etapas já bem conhecidas do desenvolvimento psíquico. A fé pode ser considerada como parte desse desenvolvimento, assumindo em cada etapa aspectos dominantes característicos, sendo influenciada e determinada, pelo menos em parte, pelo estágio evolutivo que o indivíduo atravessa. Ela sofre desafios crescentes, experimenta mudanças e, por sua vez, oferece respostas esclarecedoras e estruturantes às crises da existência.
As investigações seguem dois fulcros, pelo menos, quando se busca relacionar fé e teorias do desenvolvimento. O primeiro deles parte da teoria do ciclo vital, tal como definida por Erik Erikson, e procura demonstrar a evolução da fé desde o nascimento até à morte. Essa abordagem tem permitido interes-santes estudos sobre o que significa maturidade, em termos tanto de crescimento individual como de fé.
LeRoy Aden propôs um paralelo entre as etapas do ciclo vital descritas por aquele autor e as correspondentes manifestações de fé. Assim, elaborou oito formas de expressão da fé, a partir das descrições das etapas psicossociais já conhecidas. Ele propugna por lançar luz sobre os recursos e estratégias individuais de crescimento que, em cada período, exercem influência significativa sobre a vivência da fé. Tal qual na teoria de Erikson, a ênfase recai nos aspectos sadios que cada etapa do desenvol-vimento pode apresentar.
Idade (Anos de Vida) = Fator prevalecente do desenvolvimento de identidade = Forma Predominante de fé
00-01 = Confiança / Desconfiança =
Fé como Confiança
01-03 = Autonimia / Vergonha e dúvida = Fé como Coragem
03-06 = Iniciativa / Culpa =
Fé como Obediência
06-12 = Engenhosidade / Inferioridade =
Fé como Assentimento
12-18 = Identidade / Confusão =
Fé como Identidade
>18 = Intimidade / Isolamento =
Fé como Entrega
> = Generosidade / Auto-absorsão = Fé como Doação Incondicional
> = Integridade / Desespero = Fé como Aceitação incondicional

Obs: Tradução e Adaptação do Autor
A Tabela 1 apresenta as oito formas predominantes de fé apontadas por Aden. Ele conclui que “o estágio particular do desenvol-vimento que o indivíduo atravessa influencia e, em parte, determina a resposta de fé de cada um”15.Destaca ainda que a fé oferece elementos de organização do psiquismo, tornando-se um fator de saúde e satisfação, influenciando profundamente a estruturação pessoal. Ela não se comporta passivamente durante as crises do desenvolvimento, mas contribui de forma ativa e transformadora.
Outra linha de investigação que relaciona o desenvolvimento humano com o entendimento da fé tem por base teorias cognitivo-estruturalistas. Parte-se das concepções de Jean Piaget, que descreveu as complexas estruturas psíquicas desenvolvidas pelo ser humano em crescimento, capazes de lhe garantir conhecimento e interação com o mundo. Seguindo essa direção, Lawrence Kohlberg elaborou uma seqüência estruturada que diz respeito ao desenvolvimento da consciência moral. Para o nosso interesse atual, ganha relevância o trabalho de James W. Fowler, que estudou estágios de desenvolvimento da fé, confrontando-os com as características próprias a cada etapa do desenvolvimento cognitivo.
Fowler baseou-se em ampla pesquisa, reunindo dados de mais de 359 entrevistas semi-estruturadas com pessoas de diferentes idades e formações religiosas, em países norte-americanos (Estados Unidos e Canadá). Pela análise sistemática dos dados, pôde identificar seis agrupamentos bem definidos de formas de crer, que chamou estágios da fé. Antecedendo a eles, distinguiu um pré-estágio caracterizado pela presença de uma fé que chamou indiferenciada. As categorias utiliza-das para compor as formas de fé por ele descritas foram as seguintes: locus de autoridade, forma de coerência do mundo, limites da consciência social, função simbólica, forma de lógica, assunção de perspectiva relacional e forma de julgamento moral16.
Exporemos a seguir, sucin-tamente, cada estágio descrito por Fowler, considerando que tais pesquisas são ainda pouco conhecidas em nosso meio.
Pré-estágio – Período de 0 a 2 anos de idade – Caracterizado por uma fé dita indiferenciada, em que se constrói “o fundo de confiança básica e a experiência relacional de mutualidade”, que estarão subja-centes a tudo o que virá mais tarde no desenvolvimento da fé17.
Estágio I - Período de 2 a 7 anos, chamado de fé intuitivo-projetiva. A característica marcante aqui é de uma fé fantasiosa e imitativa, que acompanha as primeiras experiências auto-conscientes, com forte conteúdo imaginativo, pois que ainda não inibido pelo pensamento lógico.
Estágio II – Período de 7 a 12 anos, caracterizado pela fé mítico-literal. As crenças neste estágio são apreendidas segundo uma interpretação literal, ganhando construção linear, mesmo que já se requeira coerência e sentido. Nele “a pessoa começa a assumir para si as estórias, crenças e observâncias que simbolizam pertença à sua comunidade”18.
Estágio III – Período de 12 a 18 anos, chamado de fé sintético-convencional. Surge a necessidade de sintetizar valores, informações e crenças, de forma a sustentar uma ideologia que dê base para a identidade e perspectivas pessoais. Desponta a capacidade de formar o “mito pessoal, o mito do próprio devir da pessoa em identidade e fé, incorporando o passado e o futuro previsto em uma imagem do ambiente último unificada por características de personalidade”19.
Estágio IV – Período de 18 a 25 anos, chamado de fé individuativo-reflexiva. Neste ponto o indivíduo está pronto para assumir responsavelmente os compromissos que lhe são inerentes, definindo seu estilo de vida, crenças e atitudes. A identidade pessoal já definida permite a afirmação de uma cosmovisão própria. A capacidade reflexiva, por sua vez, leverá ao questionamento de crenças anteriores, dando a este estágio uma caráter “desmito-logizador”.
Estágio V – Período após os 25 anos, chamado de fé conjuntiva, ou também integrativa. Aqui tende-se a ultrapassar a lógica dicotomizante anterior, atentando para as relações que pode haver entre diferentes concepções de fé. Surge uma disposição dialética que acolhe elementos anteriormente excluídos, mesmo aqueles de aparente oposição, fazendo sobressair o “eu mais profundo”, com suas complexidades e ambivalências. Passa-se a admitir a convivência com o que é diferente e ameaçador, considerando que “as apreensões da realidade transcendente são relativas, parciais e inevitavelmente distor-cedoras”.
Estágio VI – Atribuído à maturidade e caracterizado pela chamada fé universalizante. Poucos teriam acesso a esse nível de desenvolvimento da fé. Ele se expressa pelo engajamento decidido da pessoa na transformação da realidade atual, visando valores últimos. O móvel é uma “devoção à compaixão universalizante”, que brota de “visões ampliadas da comunidade universal” e permite uma prontidão a “ter comunhão com pessoas de qualquer um dos outros estágios e de quaisquer outras tradições de fé”. Fowler afirma sua crença em que “as pessoas que chegam a corporificar a fé universalizante são levadas a esses padrões de comprometimento e liderança pela providência de Deus e pelas exigências da história” 21.
Idade = Etapa do desenvolvimento Cognitivo = Estágio da Fé
0-2 anos =Etapa sensório-motora Pré-Estágio = Fé indiferenciada
2-7 anos =Etapa pré-operacional ou intuitiva Estágio I = intuitio-projetiva
7-12 anos = Etapa Operacional Comcreta Estágio II = Fé mítico-literal
12-18 anos = Etapa Operacional Formal (dicotomica) Estágio III = Fé sintético-convencional
18-25 anos = Etapa Operacional Formal (dialética) Estágio IV = Fé individuativo-reflexiva
> 25 anos = Etapa Operacional Formal (sintética) Estágio V = Fé conjuntiva (ou integrativa)
> = Etapa do desenvolvimento Cognitivo, Etapa Operacional Formal (dicotomica) Estágio VI = Fé universalizante
A Tabela 2 mostra a relação dos estágios da fé propostos por Fowler com as etapas do desenvolvimento cognitivo descritas por Piaget.
Claro está que o desenvolvimento da fé não se dá de forma linear, pois, tal qual ocorre com o progresso psíquico, ele pode sofrer retardamentos e fixações. Se a fé não encontra elementos adequados à sua evolução, aí incluídos principalmente os fatores de estagnação ao desenvolvimento global da personalidade, ela pode caminhar em descompasso com a idade cronológica. Entretanto, estará sempre em relação com o grau de maturação psíquica que a pessoa tiver alcançado. Parece razoável admitir que “não é o espiritual que aparece primeiro, mas o psíquico, e depois o espiritual”. Por outro lado, também é verdade que “é a partir do olhar do imo espiritual que a alma toma seu sentido, o que significa que a psicologia pode de novo estender a mão à teologia”.
Fowler alude à seqüência dos estágios e suas inter-relações usando a figura de um movimento espiral ascendente. A transição de um estágio a outro seguinte pressupõe uma crise, vivida com intensidade variada por cada pessoa, segundo o grau de estabilidade psíquica e a configuração existencial que a cerca no momento dado. Experiências marcantes que alterem significati-vamente conteúdos da fé, geralmente denominadas de conversão, introduzem mudanças na forma de vivenciá-la, podendo implicar numa mudança de estágio. Regressão a estágios anteriores é uma das possibilidades, mesmo que seja para melhor elaborar ou reconstituir aspectos mutilantes que tenham ficado mal resolvidos. Outra possibilidade é que tais experiências alavanquem uma retomada do desenvolvimento para níveis mais adequados.
As possibilidades que se colocam são assim descritas por J. Harold Ellens:

“Para amadurecer de um estágio a outro seguinte precisamos de conversão; isto é, precisamos ser despertados para uma nova dimensão de fé e experimentar uma visão transcendente que alargue nossos paradigmas, revise e expanda nossa cosmovisão, reintegre nosso ´self` e nossa experiência com um novo sistema de convicções e perspectivas. Quando atingimos as experiências limite que nos desafiam à conversão e resistimos às demandas de uma nova e expandida visão de verdade, de fé e de perspectiva, regredimos e nos aprisionamos na cosmovisão imatura de um estágio anterior do nosso desenvolvimento.”23 (tradução do autor).

segunda-feira, novembro 17, 2008

Para começar a semana...

... com duas reflexões sobre a humanidade.









Movimento Perpétuo Associativo - Deolinda

Agora sim, damos a volta a isso,
Agora sim, há pernas para andar,
Agora sim, eu sinto optimismo,
Vamos em frente ninguém nos vai parar.

Agora não que é hora do almoço,
Agora não que é hora do jantar,
Agora não que eu acho que não posso ,
Amanhã vou trabaralhar.


Agora sim temos a força toda ,
Agora sim há fé neste querer,
Agora sim só vejo gente boa,
Vamos em frente e havemos de vencer.

Agora não que me dói a barriga,
Agora não dizem que vai chover,
Agora não que joga o benfica,
E eu tenho mais que fazer.


Agora sim cantamos com vontade,
Agora sim eu sinto a união,
Agora sim já ouço a liberdade,
Vamos em frente é esta a direcção.

Agora não que falta um impresso,
Agora não que o meu pai não quer,
Agora não que há engarrafamentos,
Vão sem mim que eu vou lá ter.

Vão sem mim que eu vou lá ter
Vão sem mim que eu vou lá ter
Vão sem mim que eu vou lá ter
Vão sem mim que eu vou lá ter
Vão sem mim que eu vou lá ter.



terça-feira, novembro 04, 2008

Identificação

Esquizofrenia e Revelação - Volney Faustini

Ao dizer que a internet (o mundo virtual com as ferramentas de sociabilização, tendo o blog como seu ápice) revela nossa esquizofrenia, é frequente a reação de espanto. Um espanto para o fato de que não somos perfeitos, ou um espanto para a força desse ambiente virtual?
Não sei.
É difícil - diria até impossível - blogar sem que o efeito terapêutico apareça. E junto com a postagem vem a revelação do nosso eu. Não sei o que vem primeiro - se é o tratamento de nós mesmos, ou a exposição. Não sei também, o que é causa o que é efeito.
É fato, que a desordem de nossa alma encontra ressonância no espelho da escrita. Cada leitura de minha própria postagem é um toque de alerta para ser quem realmente sou. Ou para me dizer que sou, aquele que sou!
Há algo diferente e estranho nas nossas expressões. Pelo menos na minha. Me sinto mais integrado (integro, não sei). Me sinto mais espontâneo (extemporâneo - talvez). Me sinto mais autêntico (mais eu mesmo - isso sim).
Vez ou outra vamos nos encontrar nu - do jeito que nascemos. Se de um lado é o estado bruto de nossa concepção, também o é a forma líquida de nossas imperfeições e carências. É alma que procura domar o corpo, muitas vezes por ele dominado.
Enquanto posto, vivo momento de grande expectativa. Não por aquilo que o tempo encerra, mas pelo que desabrocha. Uma contagem rápida me dá dezenas de novos amigos (bem recentes), uma dúzia de projetos para me envolver, o escritório, a carreira profissional, a família ... É muita coisa, E agora um grande desafio à frente.
E é isso que vai nascer que me entusiasma!
Vou compartilhar em breve. Mas por enquanto, fica aqui o meu muito obrigado a cada um que tem vindo aqui me prestigiar com leitura, indicação e até mesmo com um comentário. Minha alma também agradece. Todos nós agradecemos.


no divã

parece que já foi há mais tempo, dada a intensidade da vida que vivemos. foi há pouco mais de um mês, e mais do que era comum, sua lembrança é viva. ciclos completos.

psionline 1

"A ansiedade nada mais é do que a tensão entre o agora e o depois..." Jung