terça-feira, março 03, 2009

medo



Miedo, Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis


Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da
El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor
Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá
Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar
Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor
El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar
Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão
Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá

terça-feira, fevereiro 03, 2009

para aliviar a culpa


terça-feira, janeiro 06, 2009

psionline 3

Aparências - Robson Carmo.

Minha esposa sempre me conta que cresceu ouvindo de sua mãe que a sala de estar é o lugar que deve permanecer em ordem, pois se porventura chegar alguma visita inesperada ela encontre a sala em ordem e pense que todo o resto também está em ordem.
Imagine a situação...
Uma mãe que quer manter a aparência de sua casa como se fosse muito bem cuidada, mas o máximo que ela consegue é deixar a sala um pouco organizada. De repente... seu filho de 17 anos, começa a namorar uma menina até então desconhecida. Bem, este filho então diz: “Mãe, quero trazer minha namorada para jantar conosco, posso?” E a mãe então diz: “Tudo bem meu filho, mas deixe-me dar um trato na casa antes para não causar má impressão.” E a mãe então deixa a casa um brinco! Tudo no lugar..., lustra-móveis..., saches de cheirinho agradável..., etc. Bem, a moça chega... Elas se abraçam e beijam e aquela formalidade toda. Jantam, comem sobremesa e assim vai. Então, a mãe resolve mostrar toda casa para ela, com muito orgulho é claro, pois a final de contas a mãe conseguiu ter o controle de tudo e todas as coisas estão em seu devido lugar, porém a mãe ainda diz: “Olha minha filha, não repare a bagunça não, está bem? Desculpe-me porque não consegui deixar a casa como gostaria”. Então dá aquela risadinha esperando um: “Nossa, sua casa é maravilhosa. Que casa mais cheirosa... que organizada etc”.
Os dias passam e a namorada começa a ficar mais íntima da família, e quando a mãe menos espera, ela mesma já não se incomoda mais com a presença da namorada e começa a deixar a casa como estava antes, voltando então a deixar somente a sala mais ou menos arrumada.
A namorada do filho por sua vez, é uma pessoa extremamente prestativa, bondosa, generosa e gosta de ajudar e está sempre disposta para o que for preciso.
Num certo dia a namorada chega de manhã e encontra a mãe do seu namorado dormindo. Ela então percebe que a casa está uma bagunça e resolve por tudo em ordem. Quando a mãe acorda e percebe que a namorada de seu filho esta mexendo em coisas que ninguém tocava, apenas ela, a mãe começa a ficar irada e logo tira o pano de limpeza das mãos da namorada e indignada começa a limpar como se fizesse melhor do que todo mundo. Bem, a namorada fica na dela e depois disso nunca mais tentou ajudar, mas se fosse solicitada estaria de prontidão. A casa? A casa continuou a ficar bagunçada.
Sabe...
Convidamos Jesus para entrar em nossa casa. Damos a Ele as boas vindas, ficamos felizes com sua presença. No começo tudo é novo, mas à medida que o tempo vai se passando, começamos a nos acostumar com sua presença. Damos a Ele certa liberdade, porém quando Ele começa a trabalhar em nossa vida e começa a fazer a limpeza necessária, notamos que Ele está entrando em quartos extremamente fechados, que só nós podíamos entrar e mais ninguém estava autorizado. Com isso, ficamos envergonhados e logo queremos tirar o pano de limpeza de suas mãos e falamos para Jesus: “Olha Jesus... aqui pode deixar comigo que eu mesmo limpo, neste quarto o senhor não entra, não é assim que se limpa aqui, deixe comigo que eu sei como fazê-lo.” Tomamos o controle de novo e o que nos resta? É só esperar mais uma frustração, até que depois de tanta frustração paramos de lutar com nossas próprias forças e decidimos reconhecer que precisamos de ajuda para manter a casa em ordem. Paramos de viver de aparências para uma vida de dependência e entrega diária.

Que eu e você experimentemos uma vida de entrega diária, pois não é pelo meu esforço, mas pelo poder do Espírito Santo de Deus que vamos ser mudados.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Dr.Katz (1)

episódio -internet addictions...

hoje tive saudades do Dr. Katz, que já não dá na tv. ainda bem que sempre temos o youtube!

quinta-feira, novembro 27, 2008

ANSIEDADE: Doença da desconfiança!
Texto para leitura: Mateus 6

Jesus quase não falou de muitos temas que não saem de nossas conversas e preocupações.
Por exemplo, o amor entre um homem e uma mulher não tem Nele um poema, uma fala, um discurso. E acerca de sexo (outro campeão de audiência entre nós), Ele falou quando forçado pelas circunstâncias ou em razão de questões de outros.

Porém, por Ele, espontaneamente, tais temas não foram propostos.
O mesmo não se pode dizer da ansiedade.
A ela Jesus reserva significativo espaço no bojo de Seu ensino essencial: o Sermão do Monte.
De fato, isoladamente, é o assunto tratado de modo mais ilustrado e longo em todo o sermão (Mateus 5 - 7).
E por quê? Ora, as razões são muitas. E os básicos logo as associam às dificuldades da existência em todos os tempos; os psicólogos não resistem à tentação de associá-la ao mundo estressado no qual todos vivemos; tratando, assim, não da própria ansiedade, mas dos agentes contemporâneos de sua emulação.
De fato, há muitas causas secundárias quando se pensa em ansiedade. No entanto, no curto espaço deste texto, quero apenas falar acerca de três causas essenciais.
1. A ansiedade como perversão do olhar prospectivo. De fato, só somos ansiosos porque fomos dotados da bênção do olhar prospectivo. Fomos feitos capazes de olhar para o futuro mediante a imaginação, a lógica histórica, a acumulação de experiências e, sobretudo, em razão da necessidade humana de pensar no dia de amanhã, no qual, miticamente, estocamos o bem e o mal, dependendo de nosso estado de espírito. Todavia, como disse, a ansiedade é uma perversão de uma virtude: a bênção do olhar prospectivo. Na realidade, a ansiedade é a esperança vivida como experiência do pecado de ser, o qual se manifesta como incapacidade de crer no cuidado de Deus em razão de nosso descuidado para com Ele em amor. Assim, ansiedade é a expectativa de que no amanhã estaremos em perigo. O pecado perverteu todo olhar perspectivo e prospectivo.
2. A ansiedade como a esperança da Queda. Na realidade, a ansiedade é a maligna manifestação da “esperança na Queda”. Num mundo onde o ser se sabe afastado de Deus, toda expectativa é sempre contra nós, e sua forma existencial e psicológica de se fazer desesperança é mediante a ansiedade.
3. A ansiedade como desconfiança de Deus. Quando Jesus enfatizou a ansiedade como problema, o que Ele diagnosticou como causa foi a falta de confiança real no Deus real, no Deus que cuida, que é Pai, que está atento, que se dedica a ervas e pássaros, e, portanto, tem muito mais razão para cuidar da existência humana. E tudo quanto Jesus disse acerca da ansiedade se faz concluir com um convite a entrega total à confiança no reino de Deus; ou no Deus que reina sobre a vida; especialmente sobre os detalhes mais sutis. Assim, Jesus mandou que a fonte da energia espiritual e vital de cada um de nós se concentrasse apenas nas coisas que carregam o espírito do reino de Deus, pois, assim, seremos agidos por Deus, que é o que faz com que todas as coisas necessárias à vida nos sejam naturalmente acrescentadas.
Onde há ansiedade, aí ainda não há a prevalência da confiança. Ou, então, aí se instalou “um vício de sentir contra nós”, o qual só pode ser vencido mediante a entrega em fé ao amor e aos cuidados misteriosos do Pai.
Nele,

Caio Fábio

segunda-feira, novembro 24, 2008

Psicologizando 4

Psicodinâmica e Sacrodinâmica -parte 4 (final)
Conclusão
Procuramos destacar a impor-tância da fé como fator crucial para o desenvolvimento humano. As pesquisas que apontamos enfatizam sempre que ela não é estática. Ao contrário, a fé goza de um dinamismo que lhe é próprio e a impulsiona a estágios evolutivos em que alcança expressão cada vez maior. Isso se dá em articulação com o desenvol-vimento global do ser e, em particular, com as etapas do desenvolvimento psicológico. Aventamos a hipótese de que correntes teóricas da psicologia, tais como a psicanálise e outras, falharam exatamente em não atentar para a plasticidade e a riqueza dinâmica da fé. Tendo sido concebidas a partir de dados colhidos em situações clínicas, o que pressupõe prioridade a conteúdos regressivos, elas se depararam com expressões deformadas e imaturas de fé, que foram tomadas de maneira generalizada. Por outro lado, escolas psicológicas que valorizaram o desenvolvimento saudável e a progressão à maturidade foram mais felizes em reconhecer o lugar da fé. Estas últimas continuam estimulando pesquisas que esclarecem o lugar da fé na estruturação da personalidade. A fé é um fenômeno universal. Recorrendo ainda a Fowler, encontramos os seguintes esclareci-mentos: "A fé é uma preocupação humana universal. Antes de sermos religiosos ou irreligiosos, antes de nos concebermos como católicos, protestantes, judeus ou muçulmanos, já estamos engajados em questões de fé. Quer nos tornemos incrédulos, agnósticos ou ateus, estamos preocupados com as formas pelas quais ordenamos a nossa vida e com o que torna a vida digna de ser vivida. Além disso, procuramos algo para amar, e que nos ame; algo para valorizar, e que nos dê valor; algo para honrar e respeitar, e que tenha o poder de sustentar nosso ser"24. (p.16).
A aventura da fé molda e impulsiona nossas trajetórias de vida. O referencial maior encontramos na personalidade ímpar de Jesus Cristo, exemplo de fé madura e integridade pessoal. Em nome dele "a comunidade cristã, através da história, tem convidado a humanidade a enfrentar as crises das experiências limite de cada estágio da vida com a resposta da fé, isto é, a conversão; a Bíblia mesma nos coloca o desafio da ´metanoia´, conversão, uma mudança da mente" 25.(tradução do autor)
Uriel Heckert é Médico Psiquiatra e Professor Universitário em Juiz de Fora, e presidente nacional do CPPC

1 TILLICH, Paul. Dinâmica da fé. Trad. de Walter Schlupp. Ed. Sinodal, São Leopoldo, 1974, p. 13.
2 FOWLER, James W. Estágios da fé. Trad. de Júlio Paulo T. Zabatiero. Ed. Sinodal, São Leopoldo, 1992, p.15.
3 id. ibid., p.22.
4 ELLENS, J.Harold The ulfolding christian self. In: ADEN, LeRoy; BENNER, David G.; ELLENS, J. Harold (org.) Christian perspectives on human development. Baker Book House, Grand Rapids, MI, 1992, p.141.
5 TILLICH, Paul, op.cit.
6 FOWLER, James W., op.cit.
7 HERNÁNDEZ, Carlos J. O lugar do sagrado na terapia. Trad. de Therezinha F. Privatti. Ed. Nascente/CPPC, São Paulo, 1986.
8 FREUD, Sigmund; PFISTER, Oskar. Cartas. Trad. de Karin H. Wondracek. Ed. Ultimato, Viçosa, 2000.
9 FRANKL, Viktor E. A presença ignorada de Deus. Trad. de Esly R.S.C. Hoersting, Zilda C. de Souza e Walter Schlupp. Ed. Imago/Sinodal/Sulina, Porto Alegre, 1985, p. 48.
10 TILLICH, Paul, op. cit., p. 8.
11TOURNIER, Paul El personaje y la persona. Trad. de Viviana Hanono. Ed. La Aurora, Buenos Aires, 1974.
12 ______________ La aventura de la vida. Trad. de Graziela Baravalle. Ed. La Aurora, Buenos Aires, 1976, p.287.
13 HERNÁNDEZ, Carlos J., op. cit., p.18.
14 ELLENS, J. Harold, op.cit., p.129.
15 ADEN, LeRoy Faith and the developmental cycle. In: ADEN, LeRoy; BENNER, David G.; ELLENS, J. Harold (org.) Christian perspectives on human development. Baker Book House, Grand Rapids, MI, 1992, p.33.
16 FOWLER, James W., op. cit., p.201-212.
17 id. ibid., p.107.
18 id. ibid., p.129.
19 id. ibid., p.147.
20 id. ibid., p.167.
21 id. ibid., p.169-170.
22 BONAVENTURE, Leon Apresentação. In: BÜRKI, Ago Fillenz Não sou mais a mulher com quem você se casou. Trad. de João Rezende Costa. Ed. Paulus, São Paulo, 1997, p.5.
23 ELLENS, J. Harold, op. cit., p.143.
24 FOWLER, James W., op. cit., p.16.
25 ELLENS, J. Harold, op. cit., p.142.

domingo, novembro 23, 2008

Psicologizando 3

Psicodinâmica e Sacrodinâmica - parte 3
por Uriel Heckert é Médico Psiquiatra e Professor Universitário em Juiz de Fora, e presidente nacional do CPPC

Estágios da Fé
Reconhecido o lugar do sagrado, podemos perceber como a fé ganha importância relevante dentro da história de vida de cada pessoa. Assim, ela deve ser estudada nas suas expressões características, articulando-se com as etapas já bem conhecidas do desenvolvimento psíquico. A fé pode ser considerada como parte desse desenvolvimento, assumindo em cada etapa aspectos dominantes característicos, sendo influenciada e determinada, pelo menos em parte, pelo estágio evolutivo que o indivíduo atravessa. Ela sofre desafios crescentes, experimenta mudanças e, por sua vez, oferece respostas esclarecedoras e estruturantes às crises da existência.
As investigações seguem dois fulcros, pelo menos, quando se busca relacionar fé e teorias do desenvolvimento. O primeiro deles parte da teoria do ciclo vital, tal como definida por Erik Erikson, e procura demonstrar a evolução da fé desde o nascimento até à morte. Essa abordagem tem permitido interes-santes estudos sobre o que significa maturidade, em termos tanto de crescimento individual como de fé.
LeRoy Aden propôs um paralelo entre as etapas do ciclo vital descritas por aquele autor e as correspondentes manifestações de fé. Assim, elaborou oito formas de expressão da fé, a partir das descrições das etapas psicossociais já conhecidas. Ele propugna por lançar luz sobre os recursos e estratégias individuais de crescimento que, em cada período, exercem influência significativa sobre a vivência da fé. Tal qual na teoria de Erikson, a ênfase recai nos aspectos sadios que cada etapa do desenvol-vimento pode apresentar.
Idade (Anos de Vida) = Fator prevalecente do desenvolvimento de identidade = Forma Predominante de fé
00-01 = Confiança / Desconfiança =
Fé como Confiança
01-03 = Autonimia / Vergonha e dúvida = Fé como Coragem
03-06 = Iniciativa / Culpa =
Fé como Obediência
06-12 = Engenhosidade / Inferioridade =
Fé como Assentimento
12-18 = Identidade / Confusão =
Fé como Identidade
>18 = Intimidade / Isolamento =
Fé como Entrega
> = Generosidade / Auto-absorsão = Fé como Doação Incondicional
> = Integridade / Desespero = Fé como Aceitação incondicional

Obs: Tradução e Adaptação do Autor
A Tabela 1 apresenta as oito formas predominantes de fé apontadas por Aden. Ele conclui que “o estágio particular do desenvol-vimento que o indivíduo atravessa influencia e, em parte, determina a resposta de fé de cada um”15.Destaca ainda que a fé oferece elementos de organização do psiquismo, tornando-se um fator de saúde e satisfação, influenciando profundamente a estruturação pessoal. Ela não se comporta passivamente durante as crises do desenvolvimento, mas contribui de forma ativa e transformadora.
Outra linha de investigação que relaciona o desenvolvimento humano com o entendimento da fé tem por base teorias cognitivo-estruturalistas. Parte-se das concepções de Jean Piaget, que descreveu as complexas estruturas psíquicas desenvolvidas pelo ser humano em crescimento, capazes de lhe garantir conhecimento e interação com o mundo. Seguindo essa direção, Lawrence Kohlberg elaborou uma seqüência estruturada que diz respeito ao desenvolvimento da consciência moral. Para o nosso interesse atual, ganha relevância o trabalho de James W. Fowler, que estudou estágios de desenvolvimento da fé, confrontando-os com as características próprias a cada etapa do desenvolvimento cognitivo.
Fowler baseou-se em ampla pesquisa, reunindo dados de mais de 359 entrevistas semi-estruturadas com pessoas de diferentes idades e formações religiosas, em países norte-americanos (Estados Unidos e Canadá). Pela análise sistemática dos dados, pôde identificar seis agrupamentos bem definidos de formas de crer, que chamou estágios da fé. Antecedendo a eles, distinguiu um pré-estágio caracterizado pela presença de uma fé que chamou indiferenciada. As categorias utiliza-das para compor as formas de fé por ele descritas foram as seguintes: locus de autoridade, forma de coerência do mundo, limites da consciência social, função simbólica, forma de lógica, assunção de perspectiva relacional e forma de julgamento moral16.
Exporemos a seguir, sucin-tamente, cada estágio descrito por Fowler, considerando que tais pesquisas são ainda pouco conhecidas em nosso meio.
Pré-estágio – Período de 0 a 2 anos de idade – Caracterizado por uma fé dita indiferenciada, em que se constrói “o fundo de confiança básica e a experiência relacional de mutualidade”, que estarão subja-centes a tudo o que virá mais tarde no desenvolvimento da fé17.
Estágio I - Período de 2 a 7 anos, chamado de fé intuitivo-projetiva. A característica marcante aqui é de uma fé fantasiosa e imitativa, que acompanha as primeiras experiências auto-conscientes, com forte conteúdo imaginativo, pois que ainda não inibido pelo pensamento lógico.
Estágio II – Período de 7 a 12 anos, caracterizado pela fé mítico-literal. As crenças neste estágio são apreendidas segundo uma interpretação literal, ganhando construção linear, mesmo que já se requeira coerência e sentido. Nele “a pessoa começa a assumir para si as estórias, crenças e observâncias que simbolizam pertença à sua comunidade”18.
Estágio III – Período de 12 a 18 anos, chamado de fé sintético-convencional. Surge a necessidade de sintetizar valores, informações e crenças, de forma a sustentar uma ideologia que dê base para a identidade e perspectivas pessoais. Desponta a capacidade de formar o “mito pessoal, o mito do próprio devir da pessoa em identidade e fé, incorporando o passado e o futuro previsto em uma imagem do ambiente último unificada por características de personalidade”19.
Estágio IV – Período de 18 a 25 anos, chamado de fé individuativo-reflexiva. Neste ponto o indivíduo está pronto para assumir responsavelmente os compromissos que lhe são inerentes, definindo seu estilo de vida, crenças e atitudes. A identidade pessoal já definida permite a afirmação de uma cosmovisão própria. A capacidade reflexiva, por sua vez, leverá ao questionamento de crenças anteriores, dando a este estágio uma caráter “desmito-logizador”.
Estágio V – Período após os 25 anos, chamado de fé conjuntiva, ou também integrativa. Aqui tende-se a ultrapassar a lógica dicotomizante anterior, atentando para as relações que pode haver entre diferentes concepções de fé. Surge uma disposição dialética que acolhe elementos anteriormente excluídos, mesmo aqueles de aparente oposição, fazendo sobressair o “eu mais profundo”, com suas complexidades e ambivalências. Passa-se a admitir a convivência com o que é diferente e ameaçador, considerando que “as apreensões da realidade transcendente são relativas, parciais e inevitavelmente distor-cedoras”.
Estágio VI – Atribuído à maturidade e caracterizado pela chamada fé universalizante. Poucos teriam acesso a esse nível de desenvolvimento da fé. Ele se expressa pelo engajamento decidido da pessoa na transformação da realidade atual, visando valores últimos. O móvel é uma “devoção à compaixão universalizante”, que brota de “visões ampliadas da comunidade universal” e permite uma prontidão a “ter comunhão com pessoas de qualquer um dos outros estágios e de quaisquer outras tradições de fé”. Fowler afirma sua crença em que “as pessoas que chegam a corporificar a fé universalizante são levadas a esses padrões de comprometimento e liderança pela providência de Deus e pelas exigências da história” 21.
Idade = Etapa do desenvolvimento Cognitivo = Estágio da Fé
0-2 anos =Etapa sensório-motora Pré-Estágio = Fé indiferenciada
2-7 anos =Etapa pré-operacional ou intuitiva Estágio I = intuitio-projetiva
7-12 anos = Etapa Operacional Comcreta Estágio II = Fé mítico-literal
12-18 anos = Etapa Operacional Formal (dicotomica) Estágio III = Fé sintético-convencional
18-25 anos = Etapa Operacional Formal (dialética) Estágio IV = Fé individuativo-reflexiva
> 25 anos = Etapa Operacional Formal (sintética) Estágio V = Fé conjuntiva (ou integrativa)
> = Etapa do desenvolvimento Cognitivo, Etapa Operacional Formal (dicotomica) Estágio VI = Fé universalizante
A Tabela 2 mostra a relação dos estágios da fé propostos por Fowler com as etapas do desenvolvimento cognitivo descritas por Piaget.
Claro está que o desenvolvimento da fé não se dá de forma linear, pois, tal qual ocorre com o progresso psíquico, ele pode sofrer retardamentos e fixações. Se a fé não encontra elementos adequados à sua evolução, aí incluídos principalmente os fatores de estagnação ao desenvolvimento global da personalidade, ela pode caminhar em descompasso com a idade cronológica. Entretanto, estará sempre em relação com o grau de maturação psíquica que a pessoa tiver alcançado. Parece razoável admitir que “não é o espiritual que aparece primeiro, mas o psíquico, e depois o espiritual”. Por outro lado, também é verdade que “é a partir do olhar do imo espiritual que a alma toma seu sentido, o que significa que a psicologia pode de novo estender a mão à teologia”.
Fowler alude à seqüência dos estágios e suas inter-relações usando a figura de um movimento espiral ascendente. A transição de um estágio a outro seguinte pressupõe uma crise, vivida com intensidade variada por cada pessoa, segundo o grau de estabilidade psíquica e a configuração existencial que a cerca no momento dado. Experiências marcantes que alterem significati-vamente conteúdos da fé, geralmente denominadas de conversão, introduzem mudanças na forma de vivenciá-la, podendo implicar numa mudança de estágio. Regressão a estágios anteriores é uma das possibilidades, mesmo que seja para melhor elaborar ou reconstituir aspectos mutilantes que tenham ficado mal resolvidos. Outra possibilidade é que tais experiências alavanquem uma retomada do desenvolvimento para níveis mais adequados.
As possibilidades que se colocam são assim descritas por J. Harold Ellens:

“Para amadurecer de um estágio a outro seguinte precisamos de conversão; isto é, precisamos ser despertados para uma nova dimensão de fé e experimentar uma visão transcendente que alargue nossos paradigmas, revise e expanda nossa cosmovisão, reintegre nosso ´self` e nossa experiência com um novo sistema de convicções e perspectivas. Quando atingimos as experiências limite que nos desafiam à conversão e resistimos às demandas de uma nova e expandida visão de verdade, de fé e de perspectiva, regredimos e nos aprisionamos na cosmovisão imatura de um estágio anterior do nosso desenvolvimento.”23 (tradução do autor).

quarta-feira, novembro 19, 2008

Psicologizando 2

Psicodinâmica e Sacrodinâmica -parte 2
por Uriel Heckert - Médico Psiquiatra, Professor Universitário em Juíz de Fora, e presidente nacional do CPPC

Sacroninâmica

Sabe-se que a teoria freudiana apoiou-se prioritariamente nos conteúdos pulsionais do inconsciente. Deles fez derivar as expressões do psiquismo humano, bem como todas as construções da cultura, aí incluídas as manifestações de fé. Houve, desde o princípio, aqueles que chamaram a atenção para o simplismo desse entendimento, destacando-se entre eles Oskar Pfister, membro do primeiro grupo de discípulos de Freud e que seguiu sendo também ministro religioso 8. Mesmo assim, é sabido que aquela visão reducionista prevaleceu.
Carl G. Jung postulou uma visão ampliada do inconsciente, incluindo o “self” numa visão mais abrangente, além dos conteúdos arquetípicos. Aí encontrou ele um reservatório de experiências ancestrais, que se expressam na riqueza dos mitos, sempre evocadores de conteúdos religiosos. Ele julgou ter resgatado, por essa via, a base de uma espiritualidade mais profunda.
Viktor E. Frankl, por seu turno, não hesitou em falar de um inconsciente espiritual, não condicionado à lógica do desejo, mas que se expressa na busca pelo sentido. Ele considerou que estava indo além de Jung, pois alinhava-se aos existencialistas na afirmação da pessoa humana como ser livre e responsável. No seu entender, “o inconsciente coletivo tem as menores probabilidades de abrigar a religiosidade precisamente porque religião envolve as mais pessoais decisões tomadas pela pessoa” 9 .
A noção de liberdade é destacada também por Paul Tillich, que propõe “uma teoria dinâmica da fé, a qual... tem sua raiz no centro da pessoa” 10. Ele destaca o papel dos elementos inconscientes, que são determinantes expressivos dos conteúdos da fé. Mas reconhece que esta é um ato consciente, ligado às escolhas mais radicais que tomamos ao longo da existência.
Paul Tournier, médico suíço proponente do movimento chamado Medicina da Pessoa, via o sagrado inevitavelmente imiscuído no fluxo da vida. Ele chamou a atenção para os momentos privilegiados em que a pessoa, fugindo da sua latência, suplanta o personagem estereotipado que nos caracteriza no cotidiano11. A expressão exuberante de vida que então se manifesta atestaria a presença divina e seria fonte de crescimento, maturidade e cura. Tais “aventuras” permitem, no seu entender, o fluir de uma espiritualidade dinâmica e espontânea, ligada à evolução natural do indivíduo e capaz de enriquecer a existência. Como destaca: “A maior aventura... é nossa própria evolução,... nossa evolução interior, nosso encontro renovado com Deus...”12.
Articulando essas contribuições, Carlos José Hernández, psiquiatra argentino, destaca a relevância que a relação com o sagrado assume na vida individual: “A pessoa sempre tem um espaço sagrado e, por conseguinte, misterioso e cheio de significado”13. Vê que esse lugar é preenchido pela fé, independente do objeto que a acolhe, e mesmo que ela se expresse por sua negação. Chama a atenção para a relação dinâmica que se estabelece entre o sagrado e o sujeito da fé, que evolui com o seu amadurecimento psíquico, sofre impactos durante as crises pessoais, ao mesmo tempo que contribui como elemento de referência e estabilidade na constituição da personalidade. O autor identifica, então, uma sacrodinâmica que corre paralela e intercambiante com o processo psicodinâmico de desenvolvimento individual.
J. Harold Ellens, psicólogo e teólogo norte-americano, sublinha a importância de se levar em conta essa dinâmica do sagrado, lembrando que “idéias e ´insights´ de natureza religiosa exercem papel crucial como mediadores dos movimentos saudáveis da personalidade humana através das transições de uma fase a outra do desenvolvimento e dos traumas modeladores que nos confrontam”14.

terça-feira, novembro 18, 2008

Psicologizando 1

Psicodinâmica e Sacrodinâmica - Parte 1
Uriel Heckert


“Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e diante dos homens.” (Evangelho de Lucas 2:52, Bíblia de Jerusalém, Ed. Paulinas, 1979)
Introdução
O desenvolvimento psíquico tem sido objeto de estudo da Psicologia, a partir de diferentes enfoques teóricos e conceituais. Entretanto, por influência das suas correntes mais difundidas, as manifestações de fé, via de regra, foram sistematicamente desconsideradas. Desde o seu nascimento, sob a influência dos materialismos do Século XIX, aquela ciência habitualmente desdenhou das experiências que remetem à transcendência. Assim, em nome da crença dominante nos meios intelectuais, seguiu-se desconhecendo valores positivos nos temas religiosos. A crítica sistemática a formas opressoras de religiosidade descambou para a negação de qualquer validade a vivências que são estruturantes para o ser. Os prejuízos trazidos por essa abordagem estreita de questão tão relevante estão sendo reconsiderados a partir de uma visão mais ampla e interdisciplinar.
Sagrado, fé e religião são conceitos que se aproximam. O sagrado pode ser entendido como “algo que nos toca incondicio-nalmente”, que aponta para o infinito, sempre capaz de exercer fascínio sobre o ser humano1.
Fé expressa a busca pelo sagrado, constituindo-se na resposta possível ao seu apelo, a partir da nossa condição finita. Ela pode ser entendida como:
“o modo em que uma pessoa ou um grupo penetra no campo de força da vida. É o nosso modo de achar coerência nas múltiplas forças e relações que constituem a nossa vida e de dar sentido a elas. A fé é o modo pelo qual uma pessoa vê a si mesma em relação aos outros, sobre um pano de fundo de significados e propósitos partilhados” 2.
A fé conduz a “um alinhamento do coração ou vontade, um compromisso de lealdade e confiança”; e ainda, “implica visão, um modo de conhecer, de reconhe-cimento” 3.
As religiões são pontes que se propõem estabelecer a relação com o sagrado, a partir da sistematização da fé que anima pessoas e coletividades. Elas são “o resultado cumulativo da história de manifestações passadas da dinâmica inerente à fé, tais como foram expressas, formuladas e vivenciadas pelos antepassados e que são revividas em tradições de doutrina, liturgia, perspectivas e práticas” (Tradução do autor)4. A negação da religião, por sua vez, não indica ausência de fé, pois ela segue sendo expressa mesmo que por outro código.

Entendemos que não compete às ciências psi a validação do objeto da fé. Entretanto, as dimensões e características que ela assume na vida individual e coletiva podem e devem receber a atenção da reflexão psicológica. Diversos autores têm-se dedicado a esta tarefa, referindo-se à “dinâmica da fé” 5 ou aos “estágios da fé” 6. As variadas nuanças da relação com o sagrado podem ser enfocadas sob o conceito de “sacrodinâmica” 7.

Uriel Heckert é Médico Psiquiatra e Professor Universitário em Juiz de Fora, e presidente nacional do CPPC
obs.: as citações serão publicadas com a última parte deste artigo.

sexta-feira, novembro 07, 2008

psionline 2


"Quanto mais deixamos que Deus assuma o controle sobre nós, mais autênticos nos tornamos - pois foi ele quem nos fez. Ele inventou todas as diferentes pessoas que eu e você tencionávamos ser (...) É quando me viro para Cristo e me rendo à sua personalidade que pela primeira vez começo a ter minha própria e real personalidade." C. S. Lewis

quinta-feira, novembro 06, 2008

Já se aconselhou hoje?


COM QUEM O LÍDER SE ACONSELHA?

O Dr. Frank Lake contou-nos que quando se preparava para dirigir os encontros de “terapia primal”, promovidos pelo CPPC e ABUB em 1978, ele foi visitar seu orientador espiritual. Este era pastor de uma pequena paróquia longe de Londres. Depois de conversarem caminhando pela praia deserta, seu “confessor” o levou às dependências do templo, onde um pequeno grupo carismático, que estava de “plantão”, orou por sua viagem ao Brasil.
Imagino o quadro tocante: aquele psiquiatra e teólogo famoso, cuja experiência orientou muitos líderes cristãos, sendo aconselhado por anônimos irmãos que nem o conheciam! Bem-aventurado o líder que aceita ajuda e a busca. É ainda mais feliz que buscando-a, a encontra!
Não sei até que ponto nosso caudilhismo latino-americano tem a ver com a leitura de auto-suficiência que fazemos dos grandes líderes da Bíblia. O certo é que, na maioria das vezes os vemos como pessoas que aconselham a todo mundo, mas não tem a quem falar dos seus problemas - a não ser a Deus (e essa “solidão olímpica” é entendida como prova de “espiritualidade” e desculpa para nossa auto-suficiência!).
Por isso, com muita facilidade nos esquecemos de episódios que desmentem essa imagem. Por exemplo: Moisés, que nos parece tão capaz, nada fazia sem o auxílio de Arão e prontamente aceitou o conselho de seu sogro (Ex.18.13-27). Paulo foi claramente orientado por Ágabo, em casa de Felipe, em Cesaréia, sobre as conseqüências de sua viagem a Jerusalém - embora coubesse a ele tomar a decisão correta (At. 21.8-14). E mesmo Jesus (de quem pode parecer absurdo e até blasfemo pensar que precisasse de ajuda) não quis estar sozinho em seu mais profundo momento de angústia, à sombra da cruz: levou consigo ao Getsêmane os discípulos e dentre eles pediu aos três mais íntimos companhia em oração (Mt. 26.36-46).
Não sei se pelo desapontamento de experiências como a de Jesus (causado pela indiferença ou inabilidade das pessoas a quem pedimos ajuda), por natural pudor de expormos nossos problemas ou por medo de quebrarmos nossa auto-imagem e nos tornarmos vulneráveis a comentários de colegas - muitos preferem buscar auxílio na literatura existente sobre o crescimento pessoal.
E, de fato, há bons livros disponíveis, evangélicos ou não, e podemos lê-los com proveito. Mas todos nós conhecemos o limite da auto-análise: falta-nos objetividade bastante para percebermos as armadilhas de nosso inconsciente, como o constata o salmista: “Quem pode discernir os próprios erros?” (Sl. 19.12a).
Daí a necessidade de termos pelo menos um amigo de confiança, companheiro de oração, a quem possamos expor nossos sentimentos, nossas lutas e nossos sonhos. E isso variará de acordo com nossas características pessoais e circunstanciais.
Alguns experimentamos o pequeno grupo de comunhão regular, de colegas onde a confiança mútua resulta em ajuda efetiva. Outros recorrem a um líder mais experiente, “pai” ou mentor espiritual e algumas igrejas até dispõem de bispos ou superintendentes que (tenham ou não este título) realmente conhecem e ajudam outros líderes. Mas alguns descobrirão que um colega de outra denominação, que tenha experiências semelhantes mas não esteja envolvido no mesmo quadro institucional é o “conselheiro” mais adequado. Outros, finalmente, estão abertos ao socorro do Senhor, que vem através de companheiros de jornada que Deus coloca em nosso caminho num dado momento e com quem podemos compartilhas livremente o peso que nos oprime.
Mas, seja qual for o meio escolhido, creio que é indispensável que desenvolvamos a transparência em nossos relacionamentos de tal modo que possamos aceitar, pedir e receber ajuda “no tempo oportuno”.

Noé Staley Gonçalves no site da Eirene Brasil

terça-feira, novembro 04, 2008

no divã

parece que já foi há mais tempo, dada a intensidade da vida que vivemos. foi há pouco mais de um mês, e mais do que era comum, sua lembrança é viva. ciclos completos.

quinta-feira, outubro 23, 2008

terra dos palhaços - briga de casal